domingo, 8 de Novembro de 2009

Abaixo de cão!

DE HÁ duas semanas para cá, o insuportável Luís Filipe Borges tem vindo a brindar os leitores da sua coluna na revista "Tabu" do semanário "Sol" com uma série de disparates sobre Cuba, país esse que, segundo parece, teve a infelicidade de tê-lo recentemente como visitante. O infindável número de imbecilidades que, em apenas numa página, o cavalheiro consegue escrever sobre a realidade cubana merecia justamente a outorga de um qualquer prémio que distinguisse a cabotinice e a alarvidade. Não se pede a este auto-intitulado humorista, pretenso apresentador de TV ou antigo paginador que seja um especialista sobre Cuba, a sua história e quotidiano, longe disso... O que se lhe pede, isso sim, é que antes de alinhavar as "bojardas" e dislates com que nos tem brindado, pense um bocadinho, pergunte outro tanto e, já agora, poupe-nos a ler coisas tão idiotas como aquela em que nos conta que, durante cinquenta anos e até recentemente o colombiano Juanes ter subido a um palco em Havana, nenhum cantor estrangeiro terá actuado em Cuba. Ó homem, cale-se!

Narciso Miranda e o "pecado" (dos outros)...

LEIO QUE no interior do Partido Socialista há quem teime em avançar com o processo que conduza à expulsão de Narciso Miranda e outros duzentos militantes que cometeram o "pecado" de integrar listas independentes nas últimas eleições autárquicas. No mínimo extraordinário, especialmente se nos lembrarmos em tudo o que, ao longo de mais de três décadas, o antigo presidente da Câmara Municipal de Matosinhos deu ao seu partido. De vez em quando é preciso ter alguma memória e recordar que enquanto Narciso "dava o peito às balas" nas trincheiras socialistas, os que hoje defendem ou pactuam com a sua "defenestração" entoavam hossanas aos camaradas Mao ou Stalin e rotulavam o dr. Soares de perigoso "agente da reacção" ou "lacaio do imperialismo" ou, como José Sócrates, "navegavam" em águas laranjas como aplicados e dedicados "jotinhas"...

sábado, 7 de Novembro de 2009

Um excelente livro


CHAMA-SE "Angola e o fim da União Soviética" e é um livro indispensável para quem queira compreender os anos 70 e 80, mais concretamente o período final da "Guerra Fria" e a sua repercussão em África. E fica finalmente provado, através de depoimentos e documentos soviéticos agora divulgados, que os cubanos decidiram avançar para Angola sem pedir qualquer autorização a Moscovo, dando assim razão aospoucos que há muito defendiam essa tese.O jornalista José Milhazes acedeu a documentação dos arquivos russos e entrevistou veteranos de guerra, bem como altas personalidades da política soviética. Vale mesmo a pena ler!

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Já é tempo!


SE FOSSE vivo, Fausto Correia faria hoje 58 anos. E nós estaríamos a "sarnar-lhe" o juízo, a fazer-lhe (ou ser alvo) de alguma das muitas partidas de que era autor ou vítima. Eu e tantos outros temos saudades do nosso "Faustinho" e ainda não perdemos a esperança de ver quem decide homenageá-lo coerentemente, dando o seu nome aquela que foi um das suas principais obras enquanto governante - a "Loja do Cidadão". Já é tempo!

Qualquer coisa que não bate certo...

QUANTO GANHARÁ mensalmente, em média, o vice-presidente do Millennium? Com prémios e bónus incluídos, 200 mil euros? 150 mil? 100 mil? Dificilmente auferirá menos... Agora alguém com dois dedos de testa acredita que Armando Vara iria receber 10 mil euros de um sucateiro como pagamento referente a "tráfico de influências" ou "informação privilegiada" ou lá o que fosse?! Não conheço a pessoa em causa, ao longo dos anos foi mais o que nos separou do que nos uniu, mas acho que há aqui qualquer coisa que não bate certo. Este país começa a cheirar (mesmo) mal...

Há sempre um(a) idiota à esquina de um blogue...

É COM um enorme desvelo que nos últimos dias tenho deparado com uma atenção redobrada pelo meu blogue por parte de um(a) "anónimo" a quem certamente faltará coragem para dar a cara, que é como quem diz, assinar por baixo. Energúmena personagem tecla a torto e a direito, ora insultando como quem bolsa alarvidades sem nexo e com claro "cheiro" a despeito, ora pretendendo dar lições de uma gramática duvidosa e que nem chega a compreender que um hipotético erro pode não passar de uma "gralha". As figuras que certas pessoas fazem... Mesmo a coberto de cobardes e reveladores anonimatos que só escondem a falta de vergonha que não conseguem disfarçar. Pobre gentinha! (IP 93.108.9...)

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

A hipótese Marcelo volta a ganhar força

A HIPÓTESE Marcelo Rebelo de Sousa volta a ganhar força no PSD. Nas últimas horas e depois do discurso presidencial da tomada de posse do novo governo ter sido analisado "à lupa", há quem não se canse em desdobrar-se em contactos para criar uma "vaga de fundo" entre os chamados "notáveis" de apoio a Marcelo para suceder a Manuela Ferreira Leite. Até porque há quem tenha "lido" no recente discurso de Cavaco o "recado" da sua recandidatura no próximo ano, o que condicionaria as óbvias ambições presidenciais do irrequieto professor. Entre algumas distritais (até aparentemente mais "resistentes" ao nome de Marcelo) a hipótese começa a ganhar adeptos...

O que hoje é verdade...

MEMÓRIA É coisa que falta (e de que maneira...) na política portuguesa, da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, eu sei lá, fazendo mesmo lembrar aquela célebre frase do controverso Pimenta Machado a propósito do futebol nacional - "o que hoje é verdade, amanhã é mentira". Vem isto naturalmente a propósito das recentes declarações de José Pedro Aguiar Branco, recém-eleito líder parlamentar do PSD, sobre a necessidade do partido parar de "trucidar líderes". Vindo de quem vem, no mínimo abre-se a boca de espanto. É que não foi há muito tempo que Aguiar Branco, em pleno "consulado" de Luís Filipe Menezes à frente do PSD, desdobrava-se em entrevistas a pedir congressos extraordinários para destituir o líder...

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

À atenção de José Saramago...


Padre de Boticas detido pela GNR por posse ilegal de armas. Fernando Guerra, conhecido por em tempos ter agredido violentamente o sacristão de Covas, foi presente ao Tribunal que decidiu impôr-lhe uma medida de coacção que implicará apresentar-se semanalmente às autoridade.

Ainda não foi desta

AINDA NÃO foi desta que o titular da pasta dos Negócios Estrangeiros assumiu a área do Comércio Externo e do Investimento Estrangeiro - uma decisão a que poucos se opõem (independentemente dos partidos), mas que tarda em ser concretizada. Diz-se que Luís Amado teria "torcido o nariz" a essa hipótese e feito mesmo depender a sua continuidade à frente do palácio das Necessidades do não-alargamento das actuais competências do MNE. "Diplomacia económica" sim, mas mais na teoria que em outra coisa...

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Do "Público" para Bruxelas?

FALA-SE CADA vez com maior insistência numa possível nomeação de José Manuel Fernandes para um lugar no gabinete de Durão Barroso na Comissão Europeia. A ser verdade, é difícil dissociar essa hipotética transferência do director do "Público" das ambições presidenciais de Durão...

Um grande de Espanha


A MONARQUIA e democracia espanhola devem-lhe muito. Chamava-se Sabino Fernández del Campo, foi chefe da Casa Real e principal conselheiro do Rei Juan Carlos durante muitos anos e desempenhou um papel fundamental na resposta ao fracassado golpe de estado que ficou conhecido como "23-F". Discreto, hábil negociador, tinha como lema uma frase que não cansava de repetir: "O silêncio é a melhor lealdade". Morreu ontem, aos 91 anos.

domingo, 25 de Outubro de 2009

Falta muito?

"Adorava voltar a ter Marcelo a comentar política na TVI"

Júlio Magalhães, in "Diário de Notícias"

O cantor, o prémio e a publicidade enganosa...

O FACTO de ter uma boa voz não pode levar o cantor Carlos Manuel de Ascenção Almeida (mais conhecido por Carlos do Carmo) a ter o descaramento em ufanar-se a torto e a direito e agora até num anúncio a um banco (!), de ter recebido o conceituado "Premio Goya" de 2008, atribuído pela Academia das Artes de Ciências Cinematográficas espanhola à "Melhor Canção Original" com o "Fado da Saudade" que, afinal, veio a saber-se não era, nada mais nada menos, do que a música do quase centenário "Fado do Versículo", com registo na Sociedade Portuguesa de Autores em nome de Alfredo Marceneiro, que muito boa gente cantou e gravou ao longo de décadas e continua a cantar e a gravar. Em bom português, isso chama-se "aldrabice". Nem mais nem menos. E já agora, publicidade enganosa, o que não fica nada bem a uma instituição como a Caixa Geral de Depósitos, n'é?

Visita obrigatória

NO MOMENTO em que José Saramago anda tanto nas bocas do mundo, recomenda-se uma visita a este endereço: http://www.saramagoplagiario.blogspot.com/. E já agora, ler atentamente...

Uma sigla...


ESTA FRASE pertence a Alberto Gonçalves e é, no mínimo, elucidativa acerca do que ele denomina como "o pandemónio do corrente PSD": "A maçada é que, no caso, os feudos pessoais, os ódios íntimos e as lutas internas em que o partido se entretém são tão internos, íntimos e pessoais que o cidadão desprevenido e leigo tende a perguntar-se o que é que aquilo tem a ver com ele. E a resposta, aliás óbvia, não promete um futuro risonho ao PSD, se é que uma mera sigla ainda une o que os homens desuniram(...)".

sábado, 24 de Outubro de 2009

Um mês depois...

JÁ PASSOU um mês sobre a desobediência protagonizada pelo chefe da missão portuguesa junto da Unesco e em que este votou contrariamente às directivas recebidas de Lisboa. O que espera o reconduzido ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado para cumprir a lei, ou seja, exonerar Manuel Maria Carrilho?

Pobre partido...

NO JÁ famoso "ringue" laranja do qual o prof. Marcelo Rebelo de Sousa aparentemente preferiu saltar, cada dia que passa perfilam-se dois "boxeurs" - Paulo Rangel e Pedro Passos Coelho. Está tudo dito...

Não lhe ficava mal um bocadinho de vergonha...

DE FACTO neste nosso País existem pessoas que devem pensar sermos todos parvos, burros ou, na melhor das hipóteses, que "comemos muito queijo"... Ao que parece, o ex-presidente Jorge Sampaio (que curiosamente, com a "corrida" presidencial a dar os primeiros passos, anda com uma notória e visível ânsia de protagonismo) defendeu uma revisão constitucional que crie mecanismos de "protecção" aos governos minoritários! Ouve-se e não se acredita, lê-se e ficamos embasbacados! Como é possível que alguém que foi o único e exclusivo responsável por demitir um governo de coligação apoiado por uma ampla e estável maioria parlamentar venha, quatro anos e pouco depois, defender uma coisa dessas?! Senilidade? Oportunismo? Incoerência? Desconheço, embora do dr. Sampaio já se espere qualquer coisa. Uma coisa é certa: um bocadinho de vergonha na cara não lhe ficava nada mal...

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Para que conste...

SEGUNDO LEIO no blogue de Pedro Santana Lopes, parece que afinal José Alberto Carvalho não esteve, noite fora, a festejar a vitória socialista com António Costa numa ceia em Lisboa. Segundo o director de Informação da RTP foi apenas uma coincidência ambos terem escolhido o mesmo local - o restaurante "Bons Amigos". Tudo coincidências!

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Não lhe liguem, coitado...

ATÉ ADMITO que exista quem considere José Saramago um grande escritor, não duvido que alguém assim possa pensar. Não é decididamente o meu caso, acho que o nosso País está servido (e bem!) de outros, cuja escrita é bem mais interessante e rica que a deste homem a quem um dia a Academia Sueca resolveu conceder um Nobel. E também confesso, verdade seja dita, que o homem "encanita-me" bastante, tanto pelo triste passado enquanto director-adjunto do "Diário de Notícias" (e não me venham falar em excessos de juventude, porque em 1975 Saramago já não era propriamente um menino...), como por aquele ar pretensamente superior e professoral com que opina sobre tudo e todos, dando-se uns ares de referência moral da Pátria que aquela irritante senhora Pilar del Río deve adorar e fomentar.
Vem isto a propósito da polémica (oportunissima para as vendas, é claro!) que o seu último livro provocou nos meios católicos cá do burgo, a ponto de já existir quem lhe exija que renuncie à nacionalidade portuguesa, como foi o caso do euro-deputado Mário David. Mas ninguém percebe que é exactamente isso que o sr. Saramago quer? Que falem dele, do seu livro, que os jornais e televisões lhe dediquem espaço, que surjam uns Sousas Laras da praxe a dizer uns disparates inconsequentes e bacocos da boca para fora?! Por favor... Não lhe liguem, encolham os ombros, sorriam, assobiem para o lado. Sabem que mais? Comprem livros do António Lobo Antunes, ponham-nos debaixo do braço e formem um cordão humano a atravessar Lisboa! Isso é que era!

Uff...

SEM QUERER ser chato - até porque a pessoa em questão sempre me mereceu estima - vou ser obrigado a voltar ao assunto da ceia que, na noite da vitória socialista nas eleições para a Câmara de Lisboa, juntou José Alberto Carvalho e António Costa à volta da mesma mesa, aparentemente para celebrar a vitória eleitoral deste último - notícia essa que não foi, até hoje, desmentida ou rectificada... E tudo porque li ontem em tudo o que era jornal as posições do director de Informação da RTP numa conferência que assinalou os 50 anos do "Telejornal" e em que José Alberto Carvalho defendeu vigorosa e até exaltadamente a sua "dama" (que é como quem diz a televisão pública), garantindo a "pés juntos" não existirem pressões governamentais nem interferências nos alinhamentos do principal serviço noticioso do canal público. Fico mais descansado!

terça-feira, 20 de Outubro de 2009


"Se o Presidente da República é exigente connosco, também temos que ser exigentes com ele"

Pedro Caldeira
in "Jornal de Negócios"

Nos braços de Costa!

No Chiado, à espera de Costa...

domingo, 18 de Outubro de 2009

O deputado que não chegou a ser

PARA QUEM, como eu, viu no dia das eleições legislativas o cabeça-de-lista do PSD pelo círculo de Braga a, calma e serenamente e naquele seu jeito descontraído, comprar pão na "Sacolinha" do bairro do Rosário em Cascais, não fica nem um pouco surpreendido com a renúncia ao cargo de deputado protagonizada por João de Deus Pinheiro...

Vinicius, pois claro!


Andam dizendo na noite
Que eu já não te amo
Que eu saio na noite
E já não te chamo
Que eu ando talvez
Procurando outro amor

Mas ninguém sabe, querida
O que é ter carinho
Que eu saio na noite
Mas fico sozinho
Bem perto da lua
Bem perto da dor

Perto da dor de saber
Que este céu não existe
E que tudo o que nasce
Tem sempre um fim triste
Até meu carinho
Até nosso amor

A ceia do director


LEIO E não quero acreditar!!! Então não é que no rescaldo da última eleitoral, José Alberto Carvalho não arranjou outra companhia para ir cear que, nada mais nada menos, o candidato vitorioso em Lisboa, ou seja, António Costa, acompanhado pelo seu staff?! Convém recordar que José Alberto Carvalho é o director de informação da RTP...

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Ele há indignações estranhas... by José Ferreira Fernandes

A PROPÓSITO da desajustada (para não dizer ridícula) pretensa campanha no "Facebook" contra o novo anúncio da cadeia de supermercados "Pingo Doce" não resisto a transcrever a crónica de José Ferreira Fernandes no "Diário de Notícias" de ontem:

"O Pingo Doce contratou um famoso publicitário brasileiro para a campanha que começou nas televisões na semana passada. Vai daí, começou outra campanha no Twitter, esta semana: abaixo--assinados de portugueses (já vão em 1600) contra o anúncio do supermercado. Fui ver. Talvez porque não seja o cliente- -tipo, o anúncio não me aquece nem arrefece. Mas, porque nasci com a dose suficiente de bom- -senso, uma coisa garanto: não tem nada que suscite uma mobilização indignada. Então? Porquê os 1600 e o frenesim, que já apela até a um encontro de indignados? Eu explico: cherchez la femme. O que, traduzido para a circunstância, é: alguém ficou sem a conta choruda que o supermercado tinha para publicidade e que foi parar ao brasileiro. A dor de corno na bolsa é das que mais doem. Espero que sem relação, mas também esta semana, alguém ressuscitou um vídeo da actriz brasileira Maitê Proença, onde ela é grosseira sobre os portugueses. O vídeo é velho de dois anos e, no entanto, também já há abaixo-assinados contra a brasileira. Se hoje Liedson marcar 5 golos (4 contra Malta e um na própria baliza) e amanhã aparecer um abaixo-assinado contra o "brasileiro" que traiu o nosso guarda-redes, vou ficar atento: o defraudado publicitário português está mesmo assanhado."

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Vai mais um copo?

HÁ MOMENTOS, quando leio certas croniquetas de determinadas figurinhas que por aí se arrastam já penosamente e quase sempre com os habituais vapores etílicos a tolher-lhes o raciocínio, em que sou "assaltado" por recordações com alguns anos... Foi o que me aconteceu hoje, ao ler um montão de dislastes (certamente escritos com o precioso dicionário de sinónimos como "muleta") e em que um conhecido idiota da nossa praça que já deixou de ser jornalista mas (coitado...) ainda não conseguiu ser escritor resolveu analisar o resultado de Pedro Santana Lopes nas eleições de domingo passado.
E ao ler o chorrilho de flatulências emitidas por esse arauto de um pretenso moralismo que acaba quando lhe cheira a avença, lembrei-me de uma história já com oito anos, mas que define bem o carácter e a idoniedade do escriba em questão. Estávamos em vésperas de um acto eleitoral e, de repente, o idiota em causa resolveu investir, qual quadrúpede encadeado pela violência da iluminação de uma "nocturna", furiosamente contra um candidato autárquico, com um artigo manhoso, vil e pleno de alusões pessoais. O tom e o modo eram de tal modo desajustados que, segundo corre, alguém amigo do emergúmeno e sabedor das suas fragilidades resolveu adverti-lo: "Ó homem! Olha que isso já é demais... Vê lá, não te esqueças que tens um gabinete e uma avençazinha dadas pelo adversário dele... E a casinha de Benfica? Se alguém resolve investigar como é que a 'abichaste' e quanto pagaste por ela? Vai ser uma chatice se este ganhar, n'é?". Aí ia dando o fanico ao homem! Certamente pensando no gabinetezinho na Rua das Portas de Santo Antão, na avençazinha ao velho estilo SNI que metia mensalmente ao bolso, na sua linda e nova casinha ali para as bandas da Luz, pelo sim e pelo não esta flatulêntica personagem apressou-se a mandar recados e mais recados, em jeito de mão estendida, ao alvo dos seus escarros em forma de letra: "Eu não quis ofender, precipitei-me... se calhar fui mal entendido, não tenho nada contra ele, fui influenciado, digam-lhe que eu páro, nunca mais me meto com ele... e já agora se isto lhe correr bem pode contar comigo para ajudá-lo...". Desconheço se o recado chegou ao não ao destinatário, embora sabendo que para o caso tanto faria. O que sei é que, a partir daquele momento, o aldrabilhas em questão calou-se e durante meses não escreveu uma única linha menos simpática, só voltando a fazê-lo alguns anos depois, quando aquele a quem ele tanto persegue aparentemente caiu em desgraça e tornou-se no alvo preferido de todos que utilizam a pena de forma manhosa e cobarde.
Mas nos últimos meses, com a "ressureição" à vista do político em causa, com a perspectiva de poder regressar ao lugar que já tinha ocupado, o cobardolas amainou o tom, preferindo mesmo tentar escapulir-se à contenda eleitoral que se avizinhava, entretendo-se em comentar outros assuntos e temas. Até hoje, é claro... Agora que as coisas correram eleitoralmente menos bem a esse mesmo político, a alimária voltou a eructar violentamente através de um texto que certamente lhe servirá para voltar a ter (ou renovar) a avençazinha. Sim porque a casinha, essa ninguém lha tira.
Eu pela minha parte, se o vir por aí e se estiver bem-disposto sou homem para lhe dar.. uma moedinha. É p'ró copo de três! Bem bom, não é?

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Vai um pelourozinho?

VALE A PENA olhar atentamente para os resultados de Lisboa. Não tivesse existido voto útil por parte de significativas partes dos eleitorados do PCP e do Bloco de Esquerda e Pedro Santana Lopes teria conquistado a presidência da Câmara com uma vantagem de 3 mil votos. Se dúvidas existirem, basta consultar as votações para as juntas de freguesia e para o executivo municipal e atentar nos 22 mil votos "transferidos" para António Costa. Vamos ter o camarada Ruben com o pelouro da Cultura?

Sintomas

SINTOMÁTICO, PARA não dizer outra coisa o facto do PSD perder pelo menos quatro das suas tradicionais "praças-fortes" - Barcelos, Figueira da Foz, Leiria e Trofa. Há quem comece a achar que o problema não é unicamente de Manuela Ferreira Leite, mas sim do partido em si...

Sinais...

A PARTIR de hoje e após a obtenção da maioria absoluta por parte de António Costa, José Sócrates que se cuide - especialmente para quem, dentro do PS, já começou a comparar os resultados das legislativas de há 15 dias e os das autárquicas de hoje. E quem ouviu com atenção o discurso de vitória de Costa, certamente que reparou no facto deste não ter referido uma vez sequer o nome do líder socialista - isto para além de o ter feito esperar no bar da mezzanine do Altis...

From the Equator with love...

DE QUANDO em vez, de rajada e sopetão, lá surge a criaturinha das barracas, certamente de mão na anca e - sabe-se lá... - se um dia destes a calcorrear a Artilharia Um noite fora. Transborda de raiva, possui certamente um mal-disfarçado cheiro a catinga e vai vomitando uns dislates ranhosos que possuem o mérito de servir de assinatura indelével a quem nunca olhou a meios para alcançar os manhosos objectivos a que se propõe. Volte sempre!

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Se eu votasse por esse País fora...

Cascais - António Capucho, PSD/CDS
Lisboa - Pedro Santana Lopes, PSD/CDS/MPT/PPM
Oeiras - Isaltino Morais, "Oeiras mais à frente" (IND.)
Sintra - branco
Amadora - Joaquim Raposo, PS
Tomar - Pedro Marques, "Independentes por Tomar" (IND.)
Gaia - Luís Filipe Menezes, PSD/CDS
Porto - Rui Rio, PSD/CDS
Matosinhos - Narciso Miranda, "Matosinhos Sempre" (IND.)
Ourique - José Raul Santos, PSD
Faro - José Apolinário, PS
Vila Real de Santo António - Luís Gomes, PSD

domingo, 4 de Outubro de 2009

A bota que não bate com a perdigota...

JÁ PASSARAM alguns dias sobre aquela estranhísima (para não dizer outra coisa...) intervenção presidencial, o assunto estará certamente mais que "estafado", mas por muito que tente há ali qualquer coisa que eu continuo sem perceber... É que, a propósito da publicação no "Diário de Notícias" de um e-mail entre jornalistas do "Público", Cavaco SIlva afirmou: “Será possível alguém do exterior entrar no meu computador e conhecer os meus e-mails? Estará a informação confidencial contida nos computadores da Presidência da República suficientemente protegida?”. E o que é que uma coisa tem a ver com a outra? Ou seja: o que é que um "e-mail" enviado pelo editor de um jornal a um jornalista na Madeira tem a ver com os computadores do Palácio de Belém? Ou isto "traz água no bico" ou então, lá para as bandas da Presidência, a tensão por lá vivida nos últimos tempos fez sequelas...

No mínimo... estranho!

HÁ COISAS de facto muito estranhas nesta campanha eleitoral para a Câmara Municipal de Lisboa. Por exemplo: porque é que nenhuma estação televisiva promove qualquer debate com os candidatos?

quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Volver


"Yo adivino el parpadeo de las luces que a lo lejos,

van marcando mi retorno.

Son las mismas que alumbraron,

con sus pálidos reflejos, hondas horas de dolor.

Y aunque no quise el regreso,

siempre se vuelve al primer amor.

La quieta calle donde el eco dijo:

'Tuya es su vida, tuyo es su querer',

bajo el burlón mirar de las estrellas

que con indiferencia hoy me ven volver"


Volver, de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera

A vez do tango!

A UNESCO acaba de declarar o tango como "Património Cultural e Imaterial", aceitando assim a candidatura conjunta apresentada pela Argentina e pelo Uruguay em 2008. É uma excelente notícia para todos os que, mundo fora, se deliciam a escutar e a dançar as melodias que marcaram não só uma época, mas até um modo de encarar a vida.
Mas já agora, em tempos de campanha eleitoral para Lisboa, convinha saber onde pára a idêntica candidatura do fado que foi lançada por Pedro Santana Lopes em 2005. Será que os seus sucessores na autarquia deixaram cair esta iniciativa por alguma razão pessoal, partidária ou política? Ou não a acham importante? Convinha saber...

Por cima de patada... coice!

A CADA dia mais crescente fragilização de Cavaco Silva levou a que nos últimos dias Jorge Sampaio tenha vindo a aquilatar as suas chances de poder voltar ao Palácio de Belém. Vontade não lhe falta, alguns sectores do PS (soaristas e não só) não escondem que o preferem a Alegre ou a Jaime Gama e, como quem não quer a coisa, o antigo presidente não resiste a sondar alguns amigos e empresários acerca dessa hipótese. Citando alguém: "Safa!"...

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Valha-nos isso!

A INSÓLITA e desajustada mensagem presidencial teve um mérito. O de, finalmente, após quase um quarto de século de existência, o "cavaquismo" ter-se finado! Se alguém, após a noite do último domingo, ainda tivesse dúvidas, hoje teriam ficado dissipadas. Uff!

À espera...

DEPOIS DE ter, à posteriori, ouvido a declaração presidencial a propósito do abusivamente denominado "caso das escutas" (abusivamente porque nunca se falou de escutas no "sentido telefónico do termo", passe a expressão...) e as acusações de manipulação que foram feitas a dirigentes do Partido Socialista com o propósito de condicionar o resultado eleitoral do último domingo, fico a aguardar que, coerente e logicamente, o Presidente da República se recuse a indigitar o líder do partido mais votado como primeiro-ministro...

Opção consciente!


AO QUE parece Cavaco Silva vai fazer uma declaração às oito da noite. Presumo que o tema seja as tão propaladas "escutas" que ainda ninguém percebeu se são telefónicas ou de mesa para mesa nos restaurantes da Rua da Junqueira ou nos banquetes oficiais nas visitas presidenciais. Praticamente à mesma hora, Pedro Santana Lopes e a sua "Lisboa com Sentido" vão inaugurar uma grande exposição na Praça Afonso de Albuquerque, fronteira ao Palácio de Belém. Uma mostra do muito que Lisboa vai mudar nos próximos oito anos. Entre a declaração presidencial e a exposição, decididamente opto pela segunda!

Extraordinário!

NESTE PAÍS existem cada dia mais coincidências... Então não é que dois dias depois das eleições legislativas e onde o CDS se tornou "determinante" em arranjos de maioria parlamentar, as autoridades resolveram "visitar" três escritórios de advogados da capital, ao que se sabe todos eles relacionados de algum modo com a polémica adquisição dos submarinos no "consulado" de Paulo Portas no MInistério da Defesa. No mínimo, extraordinário!

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

A preocupação mora aqui...


A FORMA como ontem à noite José Sócrates "puxou" por António Costa reflecte bem a preocupação com que os socialistas encaram a cada vez mais improvável reeleição do actual "ministro para a capital", perdão, do actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa. É que feitas as contas dos resultados eleitorais de ontem no concelho de Lisboa, os partidos que compõem a coligação "Lisboa com Sentido" de Pedro Santana Lopes obtiveram mais 20 mil votos que o PS...

Tostões e... furados


A BOA moeda! Viu-se...

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

A política do "kleenex"

A DECISÃO de Cavaco Silva em afastar um dos seus principais colaboradores e que com ele trabalhava há quase um quarto de século só surpreenderá quem não tem acompanhado o percurso do actual Presidente da República desde que surgiu na cena política, no início dos anos 80.
Cavaco Silva sempre foi useiro e vezeiro na chamada “política do kleenex”, ou seja, no que vulgarmente se denomina por “usar e deitar fora”. Entre valores e interesses pessoais, Cavaco jamais hesitou, optando sempre pelos últimos em detrimento do que mais nobre possui a política enquanto arte - a gratidão e a solidariedade. Desde que surgiu na cena política, Cavaco nunca hesitou em “deixar cair” quem pudesse (nem que fosse ao de leve...) comprometer as suas ambições. Sucedeu, por exemplo, com ministros como Miguel Cadilhe, Jorge Braga de Macedo e até Leonor Beleza, a quem na primeira oportunidade apontou a porta de saída dos seus governos; com Fernando Nogueira, que durante mais de uma década “ofereceu o corpo às balas” como seu “número dois” e a quem desmentiu publicamente uma semana antes das eleições que opunham este a António Guterres; com Pedro Santana Lopes, a quem como artífice da sua ascensão ao poder na Figueira da Foz deve em grande parte a liderança do PSD e contra quem não hesitou em alinhar numa campanha há muito não vista no nosso País quando este ocupava o cargo de primeiro-ministro; e até mesmo com Durão Barroso a quem, em 2001 e poucas semanas antes das eleições que haviam de conduzir ao poder o actual presidente da Comissão Europeia, foi incapaz de publicamente prestar apoio.
Agora foi a vez de Fernando Lima e, por arrasto, da sua amiga Manuela Ferreira Leite que na noite do próximo domingo e a confirmarem-se as expectativas sobre o que será um discreto resultado eleitoral bem pode responsabilizar Cavaco Silva por esse mesmo score. Mais uma vez, usando de um calculismo que lhe poderá vir a sair bem mais caro do que poderá supor, o actual chefe de Estado “sacrificou” colaboradores e amigos, sempre em nome de uma estratégia e ambição pessoais que começam a ser vistas com profunda desconfiança até mesmo por quem com ele sempre esteve.
Cavaco Silva tem de entender que teve a sorte de “estar no sítio certo no momento certo”: por exemplo, quando Sá Carneiro convidou Loureiro Borges para seu ministro das Finanças e este recusou, indicando-o para o lugar; quando, na Figueira da Foz, o seu partido suspirava por alguém alguém que fosse contraponto de uma liderança débil como tinham sido as de Balsemão, Mota Pinto ou Machete; quando se apresentou ao País após três anos e meio de um “bloco central” que deixou os portugueses praticamente em depressão; quando os cofres europeus se abriram de par em par, estando ele em S.Bento. E ao mesmo tempo tem de entender, de uma vez por todas, que “estar no sítio certo no momento certo” não implica necessariamente “ficar na História”. Para isso, é necessário lutar por algo, sacrificarmo-nos, possuir e privilegiar valores – não bastando usar e abusar de um calculismo que tem tanto de frio e cínico como de serôdio e provinciano. É isso que diferencia um Cavaco Silva de um Mário Soares, de um Sá Carneiro, de um Francisco Salgado Zenha, de um Adelino Amaro da Costa ou de um Ramalho Eanes, por exemplo. É é por isso que enquanto uns possuiem dimensão e “mundo”, outros nunca deixarão de ser umas aplicadas e certinhas personagens a quem não se lhes conheceu um rasgo ou um pensamento minimanente brilhante durante toda uma vida...

quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

As atitudes de Cavaco

AO LONGO destes anos e sempre que se sente "apertado", Cavaco Silva tem mostrado que não hesita em "deixar cair" quem possa condicionar ou comprometer o seu percurso e as suas ambições. Foi em 1995 com Fernando Nogueira a quem "tirou o tapete" de uma forma inacreditável em plena campanha eleitoral; em 2001 quando, pelo silêncio, se demarcou de Durão Barroso; em 2004 quando foi um dos protagonistas da autêntica campanha de descredibilização que tentaram mover a Pedro Santana Lopes enquanto primeiro-ministro; e finalmente agora ao demitir um dos seus mais fiéis e dedicados colaboradores há mais de duas décadas, sem importar-se se essa sua atitude poderia prejudicar a sua amiga Manuela Ferreira Leite a menos de uma semana das eleições.
E já agora: quem conhece Fernando Lima sabe que ele nunca, repito nunca, protagonizaria um episódio como o revelado pelo "Diário de Notícias" sem o conhecimento e autorização de Cavaco Silva. Pelos vistos a ingratidão mora em Belém. E de que maneira...

terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Quem não quer ser lobo...

EM TEMPO de demissões, exonerações e afastamentos (e com um bocadinho mais de tempo irei "interpretar" a decisão de Cavaco Silva em demitir Fernando Lima...) aguardo que o governo demita o seu embaixador na UNESCO, após Manuel Maria Carrilho ter desrespeitado as ordens que recebeu do Ministério dos Negócios Estrangeiros quanto ao sentido de voto na eleição do novo ditrector-geral. Não queria votar no egípcio Farouk Hosni? Das duas uma: ou pedia para ser chamado a Lisboa em serviço deixando a representação portuguesa entregue ao "número dois" da missão diplomática, ou então apresentava a sua demissão do cargo. É que "quem quer ser lobo não lhe veste a pele", n'é?

terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Falta de pachorra e... de memória

AQUELE ACESSO súbito, desajustado, bacôco e reaccionário que Manuela Ferreira Leite protagonizou no debate com José Sócrates a propósito da suposta subordinação dos socialistas portugueses aos seus camaradas espanhóis a propósito do TGV cheira, antes de tudo, a mofo... Lembra outros tempos, outras gentes, outras mentalidades, traz à memória um Portugal pequenino, mesquinho, coitadinho, pobrezinho mas honrado. Definitivamente não há pachorra para essa estafada tese de que "de Espanha nem bom vento nem bom casamento", especialmente de quem ainda há alguns meses não se incomodava rigorosamente nada em integrar um conselho de administração de uma grande instituição bancária. No mínimo fica-lhe mal...

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

A lição das europeias

CORRE POR aí que PS e PSD dispõem de sondagens bastante credíveis que dão uma vantagem de cerca de 7 pontos de José Sócrates sobre Manuela Ferreira Leite - isto antes do debate de sábado e que dificilmente contribuiu para inverter essa tendência... Mas nem uns nem outros estariam muito interessados em "tirá-las da gaveta": os social-democratas porque os números são mais do que desalentadores; e os socialistas porque já aprenderam a "lição das europeias", quando um exagerado optimismo baseado em sondagens que lhes davam uma folgada vitória levou a que muito do seu eleitorado ficasse em casa e outros resolvessem dar uma "ajuda" ao Bloco de Esquerda. Citando o dr. Portas, "cautelas e caldos de galinha(...)"...

sábado, 12 de Setembro de 2009

Vitórias que são derrotas...

A CONFIRMAREM-SE os prognósticos das sondagens (as publicadas e também das guardadas a "sete chaves" nas gavetas), a democracia portuguesa vai viver um momento ímpar na sua história de três décadas e meia. É que pela primeira vez os dois partidos que irão obter mais votos nas eleições de 27 de Setembro serão... os maiores derrotados desse acto eleitoral. Parece confuso, mas não é.

sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

Sócrates vs. Louçã

DE HÁ uns meses a esta parte, especialmente após as eleições europeias, grande parte (para não dizer a imensa maioria…) dos nossos analistas políticos prognosticava e anunciava a “morte política” de José Sócrates, vaticinando uma mais do que certa derrota nas eleições legislativas de 27 de Setembro. E de facto o desaire sofrido nas europeias, somado às mil e uma “trapalhadas” em que o primeiro-ministro se viu envolvido nos últimos anos (o registo biográfico rasurado; a apressada e mal-amanhada licenciatura a um domingo numa universidade onde, para além dos professores serem amigos de longa data, lhe foi permitido fazer exames por fax(!); a assinatura de projectos de inenarráveis casas na Guarda que alegadamente não eram da sua autoria; o valor declarado na escritura de compra de um apartamento em Lisboa e que era aparentemente bastante inferior aos valores praticados pelo mercado imobiliário; e o já célebre e cada vez mais intrincado “caso Freeport”) e aos inúmeros conflitos que o seu governo protagonizou com algumas classes profissionais (professores, por exemplo) justificava de algum modo a lógica de quem, à partida, considerava o líder socialista como “condenado” a perder as eleições.

Confesso que nunca fui um grande seguidor dessa tese. Não porque considerasse despicientes todos os “casos” e polémicas que envolveram Sócrates e o seu governo, mas fundamentalmente porque há muito que reconheço ao actual chefe do governo uma notável capacidade de sobrevivência, em grande parte devido à obstinação, teimosia e determinação que caracterizam a sua personalidade. Outro no seu lugar dificilmente possuiria estrutura psicológica para suportar situações que, quer se queira quer não, tendem a debilitá-lo politica e pessoalmente como é o caso de todo o “folhetim” do licenciamento do “Freeport” de Alcochete e em que, por mais que negue o seu envolvimento, é continuamente salpicado pela evolução do processo que, desde que atravessou fronteiras, tem “arrastado” muitos dos que com ele trabalharam no Ministério do Ambiente. Isto já para não falar da sua surrealista licenciatura e cuja polémica conduziu mesmo ao encerramento de uma universidade… Mas Sócrates aguentou. Justificou o injustificável, vitimizou-se, chegou mesmo a conseguir passar de acusado a acusador. Reconheça-se: notável!

Vem isto a propósito do debate que assisti na última terça-feira e que opôs o primeiro-ministro a Francisco Louçã. O Sócrates que enfrentou o sempre bem-preparado líder do Bloco de Esquerda mostrou ser alguém que leva as coisas a sério, que tem um “killer instinct” próprio de um predador político e que “encostou às cordas” um adversário que raramente revela atabalhoamento (e Louçã revelou-o). No fundo, Sócrates revelou-se o que normalmente se denomina como “um politicão” – isto numa ocasião em que, estrategicamente, era fundamental “estancar” alguma fuga de votos que pode existir do seu eleitorado para a esquerda mais radical.

Posso estar enganado, mas “cheira-me” que na noite do próximo dia 27, José Sócrates, ainda que sem maioria absoluta, terá motivos para sorrir. Quanto mais não seja porque, lá mais para o fim do ano, irá conhecer o “seu” quinto líder do PSD desde que chegou a S.Bento…

in "+Cascais"

terça-feira, 8 de Setembro de 2009

A verdade... em 1928


ALGUÉM AMIGO e com um natural apetite por estas coisas da História enviou-me esta verdadeira "pérola", datada de 1928 e que, quase cem anos depois, poderia facilmente ser subscrita por alguns dos protagonistas do nosso actual panoramo política. Mudam-se os tempos, não as vontades?

sábado, 5 de Setembro de 2009

Se faz favor...

...ALGUÉM PODERÁ fazer a fineza de elucidar-me sobre a posição que Emídio Rangel tomou há cinco anos atrás acerca do fim dos comentários políticos de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI? Aguardo ansioso...

José Sócrates, 2004 (II)

”Em seis anos que estive nos governos de António Guterres, nunca aconteceu uma coisa destas. Isto que se passou com o actual Governo foi mau demais(...)”

José Sócrates

José Sócrates, 2004 (I)


“(...)As críticas de membros do Governo aos comentários políticos de Marcelo Rebelo de Sousa e as eventuais interferências do executivo na saída desse comentador proporcionaram um espectáculo de enorme balbúrdia”.

José Sócrates


Quem com ferros mata...

ESTE "FOLHETIM" à volta do afastamento de Manuela Moura Guedes dos ecrãs da TVI faz-me recordar algo muito semelhante ao que ocorreu há uns anos atrás, mais concretamente em 2004. Quem não se lembra de toda a polémica que rodeou o "dossier Marcelo Rebelo de Sousa" durante o governo Santana Lopes, desde as inúmeras acusações de envolvimento governamental na suspensão dos comentários na estação televisiva de Queluz do professor até (mesmo) à inopinada intervenção presidencial, então de Jorge Sampaio, comentando o assunto? Só os protagonistas é que mudaram...

sábado, 29 de Agosto de 2009

?!

A EMPRESA proprietária da edição portuguesa da revista "Playboy" denomina-se "Frestacom" e possui um capital social superior a 500 milhões de euros. É isso mesmo! Quinhentos milhões de euros! Alguém consegue perceber?

Tem graça e não ofende...


Fala (e escreve) quem sabe...

NO SEU blogue "Depois Falamos", Luís Cirilo (que conhece como poucos o PSD) não deixou passar em branco algumas recentes movimentações no seu partido. Vale a pena reter as suas palavras: "Na terça feira á noite, na Universidade de Verão, Luis Marques Mendes (num discurso a que a SIC Noticias deu honras de um directo de quase vinte minutos) veio reafirmar as suas velhas posições sobre arguidos,ética e afins. Criticando a inclusão de arguidos nas listas do PSD.Hoje Paulo Rangel, á saida de uma aula que proferiu na mesma iniciativa, veio solidarizar-se com as opções de Manuela Ferreira Leite criticando os "paladinos da ética"(sic)! Começaram as primárias no PSD".

Pedro Silva Pereira by Mário Crespo

DEFINITIVAMENTE A não perder as respostas de Mário Crespo a mais uma das já tradicionais "Entrevistas Imprevistas" do semanário "Sol" e de José Fialho Gouveia. Especialmente as revelações que o "pivot" da SIC faz acerca do ministro Silva Pereira.

"(o ministro Silva Pereira) em termos de grosseria pura excedeu Valentim Loureiro. Começou a disparatar quando lhe perguntei se era verdade que uma sobrinha de José Sócrates era sua secretária(...)"

"(Silva Pereira) antes da entrevista insistiu muito para que eu o tratasse por senhor ministro (...)"

"A preocupação que (Silva Pereira) teve e a frequência de contactos que fez antes da entrevista mostrou-mNegritoe que este Governo dá grande importância ao condicionamento dos jornalistas"

23 anos...

HÁ DIAS, um amigo brasileiro que tem passado por cá nos últimos meses comentava-me que tinha “colhido” dos portugueses um forte e mais do que visível desejo de mudança: “O pessoal aí está farto, dá para perceber que quer mudar...”, dizia-me ao telefone, um pouco surpreendido - ele que é um homem ligado às coisas da publicidade e do marketing – por nenhum dos contentores políticos, em especial a líder da oposição, esgrimir esse argumento nos outdoors que começam a ver-se espalhados por esse País fora.

Com o oceano de permeio e de telemóvel para telemóvel, tentei sucintamente explicar-lhe que, de facto, esse é que era o grande problema com que nos debatíamos – a ausência de uma proposta séria e sustentada de mudança. Mas ele insistia: “Pô... Mas essa tal de Manuela é da oposição, certo?”. Certo, é claro que sim, confirmava-lhe. E ele voltava à carga, uma, duas, três vezes: “Fafi, não tô entendendo, vocês portugas são mesmo complicados...”. Aí eu fiz um esforço, pedi-lhe que me ouvisse um minuto e tentei resumir as duas últimas décadas da política portuguesa. Desta forma: entre Janeiro de 1990 e Outubro de 1995, a actual líder do PSD esteve no governo, tendo sido secretária de Estado e depois ministra da Educação - isto sem contar com o cargo de directora-geral que desempenhou entre 1986 e 1990; depois, com a vitória eleitoral dos socialistas, em 1995, José Sócrtaes, o actual primeiro-ministro entrou para o governo, onde esteve sete anos, primeiro como secretário de Estado e depois como ministro; a seguir, em 2002, com o regresso do PSD ao governo, Manuela Ferreira Leite voltou a ser ministra durante dois anos, até Julho de 2004; e finalmente, poucos meses depois, em Março de 2005, Sócrates foi eleito primeiro-ministro. Resumindo: há 19 anos, para não dizer 23 (se contarmos com o facto da líder “laranja” ter sido Directora-Geral da Contabilidade Pública entre 1986 e 1990) e à excepção de um curto período de oito meses, ou Sócrates ou Ferreira Leite fizeram parte dos governos que o nosso País teve.

Você 'tá brincando, não 'tá?”, questionava o meu amigo lá de terras de Vera Cruz. Não podia estar a falar mais a sério, dizia-lhe - era exacatamente por isso que isso da “mudança” não colava de jeito nenhum. “Vinte e três anos?! Só pode ser brincadeira!”, exclamava o meu interlocutor. Achei que a chamada já ia longa e ao despedir-me não resistir em “abrasileirar” o meu português: “Brincadeira é 'apelido' (alcunha), meu caro...”.