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quinta-feira, 5 de março de 2015

Isto está bonito, 'tá...


VIVEMOS CADA vez mais no complexo e pernicioso emaranhado das suspeições. Desde um antigo primeiro-ministro detido preventivamente acusado de corrupção ao ainda Presidente da República sobre o qual recaem suspeitas de ter tido um tratamento privilegiado na compra e venda de acções do antigo BPN, temos um pouco de tudo. A começar por um primeiro-ministro acusado de não honrar a tempo os seus compromissos perante o Fisco e a Segurança Social, um vice-primeiro ministro a que não faltam histórias mal explicadas e agora um líder da oposição sobre quem existem acusações de não ter liquidado as contribuições autárquicas na aquisição de um imóvel num município onde veio a ser presidente da câmara. E o mais curioso disto tudo é que todos, sem excepção, não hesitam em vir publicamente pregar moral uns aos outros...

quarta-feira, 4 de março de 2015

Três perguntas a propósito de Pedro Passos Coelho...


É VERDADE que Pedro Passos Coelho meteu a pata na poça quando não resolveu as suas pendências perante a Segurança Social antes de candidatar-se a primeiro-ministro? É, sim senhor. É verdade que a sua justificação pelo lapso foi precipitada e algo desastrada? Também é verdade. Agora, por favor, digam-me lá que eu não tenho razão? Será que este "incidente contributivo" do primeiro-ministro condiciona a sua governação ou justifica uma hipotética demissão? Claro que não. Ponto final.

domingo, 1 de março de 2015

O dia em que o Fernando Madrinha e eu passeámos no Pentágono...


POR RAZÕES que certamente a razão desconhece, o meu amigo Fernando Madrinha deixou, ao fim de quase 20 anos, de escrever a sua coluna semanal no "Expresso". Perdemos nós e perde certamente o "Expresso" onde - já deu para perceber... - há quem não consiga (ou saiba) conviver com a experiência, com a lucidez e com a memória.

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Há momentos, a comentar com um amigo esta inesperada notícia, lembrei-me de uma deliciosa história que vivi com o Fernando em Washington durante uma visita do então primeiro-ministro Cavaco Silva, já lá vão uns bons 20 anos - ele ao serviço do "Expresso" eu do "Tal&Qual". Por obra e graça do raio de uma mala extraviada entre Lisboa e a capital norte-americana, na manhã seguinte à nossa chegada fui obrigado a ir às compras, de forma a munir-me do essencial para enfrentar os dois ou três dias que durava a nossa estada na capital norte-americana. Afável como sempre, o Fernando ofereceu-se para acompanhar-me nessa minha incursão e, logo pela manhã, lá partimos de metropolitano Washington afora... O destino era um shopping que me tinham recomendado - o Pentagon City Mall. Seguindo as orientações recebidas, após uma viagem de cerca de um quarto de hora, descemos numa estação chamada "Pentagon" e não hesitámos quando à nossa frente surgiu uma escada rolante que subimos decididos, atrás de umas quantas pessoas que seguiam à nossa frente. Lá em cima, após passar uns discretos pórticos de segurança, continuámos a seguir quem nos precedia e a embrenhar-nos nuns longos e intermináveis corredores. Apesar de termos passado em frente de uma pequena barber shop (com um daqueles tradicionais reclames coloridos e tudo) e de uma máquina de venda automática de jornais, aquilo tinha aspecto de tudo menos de um shopping. Ao fim de alguns minutos e outras tantas dezenas de metros percorridos naqueles insípidos corredores, resolvemos abordar alguém que nos pudesse elucidar onde ficavam as lojas daquele estranho centro comercial. A surpresa foi total: não só tínhamos descido uma estação antes do que devíamos, não só não estávamos em algum centro comercial, como estávamos em pleno Pentágono, o maior edifício de escritórios do mundo e o "coração" de toda a estrutura militar dos Estados Unidos! Daí os pórticos de segurança que transpusemos  com a maior das naturalidades, daí os longos e insípidos corredores, daí a ausência de lojas...
Ainda hoje estou de boca aberta, não sei como lá fomos parar e como é que conseguimos ultrapassar os cuidados de segurança que obviamente o edifico dispunha. O certo é que, tal como entrámos, saímos pelos nosso próprio pé e voltámos a entrar no metro que, então sim, nos deixou na estação seguinte - na "Pentagon City Station", a tal que servia o shopping do mesmo nome... Fosse hoje e tenho a impressão que ninguém nos livrava de umas "férias" em Guantanamo!
Um abraço, Fernando!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Cadê o "bacalhau à Dilma"?


ACHO QUE foi Mário Wilson que há uns anos disse qualquer coisa acerca da facilidade em passar-se de "bestial a besta"... Lembrei-me do "velho capitão" há uns dias no Porto, quando me sentei à mesa do "Cafeína" e me aprestava a pedir o famoso "bacalhau à Dilma", assim baptizado em honra da presidente brasileira Dilma Rousseff que, há três anos anos e durante uma breve escala técnica naquela cidade, escolheu aquele que é sem dúvida um dos melhores restaurantes da Invicta como poiso para almoçar. Mirei e remirei a lista e do "bacalhau à Dilma" nada, tinha eclipsado-se: "Estranho, ainda há um mês atrás encabeçava os pratos de peixe...", pensei com os meus botões. Perguntei ao empregado que me atendia sobre o "paradeiro" do prato. A resposta veio pronta: "Está aí, é o bacalhau gratinado com 'ailoi', miga de grelo e radicchio". Então e o nome, perguntei? O empregado baixou ligeiramente o tom de voz: "Tínhamos muitos clientes brasileiros que protestavam...". Pois é, como dizem do lado de lá do Atlântico... "dançou"!

O "vale tudo" de Paulo Portas

A ANUNCIADA auditoria mandada executar pelo ministro Pedro Mota Soares à Santa Casa da Misericórdia num momento em que os candidatos presidenciais começam a colocar-se na grelha de partida e quando Pedro Santana Lopes aprestava-se a ocupar o seu lugar só surpreende quem não conhece Paulo Portas. Ao longo da sua vida, Portas dedicou-se a tentar enlamear a vida de quem o rodeia, sempre em nome de uma lógica de conquista de poder e em ver-se livre de quem possa atrapalhar os seus planos - foi assim no "Independente" onde acumulou "vítimas", foi assim no CDS (quem não se lembra das traições que foi alvo Manuel Monteiro, só para citar um nome?) foi assim nas  trapalhadas menos claras em que se viu envolvido nos últimos anos, desde o "caso Moderna" até este intricado e polémico "folhetim" dos submarinos.
Para Portas, cujas ambições presidenciais são a médio-prazo, Santana Lopes é um alvo a abater - teme-o, sabe-o capaz de ocupar o seu espaço político e é urgente detê-lo. Esta não e a primeira vez que Portas traiu Santana. Fê-lo enquanto director do "Independente", fê-lo enquanto seu ministro e parceiro de coligação no XVI Governo Constitucional (e até com Jorge Sampaio e José Sócrates...)  fê-lo quando, há três anos e meio, tentou impedir a sua ida para a Santa Casa da Misericórdia. Este é o verdadeiro Portas, o Portas das intrigas, das maledicências, das sacanices, o Portas das manhas e do "vale tudo" - no fundo é o Portas que ao longo da vida não hesitou em desferir facadas nas costas de quem finge abraçar. Este é o Portas que, ao mesmo tempo que fingia estar com Santana, se encontrava às escondidas com Sampaio ou Sócrates; este é o Portas que piscou o olho a António Guterres; este é o Portas que ao mesmo tempo que estende a mão a Pedro Passos Coelho manda recados a António Costa; e este é o Portas que ao longo da vida sacrificou amigos em nome de uma ambição sem limites.  No fundo este é o Portas em que é impossível confiar, que não hesita em apunhalar pelas costas quem se colocar à sua frente...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O meu amigo Alexandre Pais


HÁ PESSOAS que têm o "hábito" de ter razão antes do tempo. O meu amigo Alexandre Pais, um dos mais sólidos, sérios e brilhantes jornalistas que conheci ao longo dos meus mais de 20 anos de profissão, é desse tipo de pessoas. Durante anos, "entreteve-se" (e este "entreteve-se" é obviamente uma figura de estilo…) a imaginar e lançar projectos jornalísticos que, podendo não dar certo naquele momento, era certo e sabido que anos mais tarde o tempo iria provar da sua razão. Foi assim com o “Off Side”, porventura o primeiro jornal desportivo que abordou o futebol com outro olhar e linguagem; com a “Élan”, uma revista masculina que foi uma autêntica pedrada no charco naqueles anos ainda acinzentados; com a “Tomorrow”, que não só pelo formato, esta nova revista do “Expresso” me fez de algum modo recordar; pela “Teenager”, a primeira revista virada para os adolescentes e que foi pioneira no sector; e com a “Dona”, a primeira rival da “Nova Gente” e percursora desta verdadeira enxurrada de publicações dedicadas ao chamado beautiful people.
Como eu escrevi um pouco acima, o Alexandre é um dos mais sólidos, sérios e brilhantes jornalistas que conheci  – pena foi que só tenha trabalhado com ele nos meus últimos anos como jornalista… Quando o conheci, a mesquinhez de quem decidia tinha feito com que o tivessem “encostado” num (passe a expressão…) canto da redacção do “Tal&Qual”, onde aguardavam que o Alexandre, mais dia menos dia e cansado de algumas desconsiderações, batesse a porta e os poupasse à óbvia indeminização. Pediram-me na altura: “Faz-lhe a vida negra para ver se ele se vai embora, ele é muito caro…”.
Não fiz, bem antes pelo contrário – não descansei enquanto não encontrei uma “fórmula” que permitiu ao Alexandre ter a importância e o destaque que ele merecia na estrutura de qualquer jornal. Sem exagero, ao longo daqueles dois anos, o Alexandre foi o verdadeiro “pilar” do “Tal&Qual”, contribuindo com as suas experiência e notável sabedoria para, muitas vezes, dar alguma consistência a um jornalismo que tinha uma óbvia tendência para “pisar o risco”. E apesar de um ou outro “torcer de nariz” por parte de alguns mais susceptíveis, não havia texto que não passasse pelo seu exigente crivo, até para ele dar-lhe o seu indispensável “jeitinho” e uniformizar a escrita do “T&Q” – a começar pelos meus. Bons tempos esses… E depois também, note-se, existia o “outro” Alexandre Pais, o Alexandre fora do jornalismo - e esse era também era um Alexandre confiável, sereno, leal, discreto, alguém feito de uma “massa” que hoje não é muito vulgar encontrarmos.
Um dia, no Verão do último ano dos anos 90, resolvi deixar o jornalismo. O Alexandre, claro, ficou. E nem imaginam o gozo que me deu, poucos meses mais tarde,  a vê-lo, primeiro, à frente do “Tal&Qual”; depois a protagonizar o grande arranque do “24 Horas”; e finalmente a tomar conta do “Record”…
Não sei porque raio me deu para escrever sobre o Alexandre Pais, se calhar foi por lê-lo hoje de manhã na “Sábado”, onde escreve semanalmente uma página que é a primeira que eu procuro quando folheio a revista – talvez, não sei… O que sei, isso sim, é que as poucas saudades que tenho do jornalismo são as muitas saudades que tenho, tantas vezes, dele. Grande abraço, careca!

O advogado, as fontes e as "manchetes"...

EU PERCEBO que o advogado de José Sócrates suba as paredes todos dos dias em que o "Correio da Manhã" dedica uma manchete ao seu cliente. Aquilo incomoda? Ah, incomoda - claro que incomoda! Aquilo prejudica a estratégia da defesa? Claro que sim, que prejudica! Mas isso é uma coisa - a de incomodar, de perturbar, de fazer mossa. Outra coisa é vir contra-atacar acusando o jornal de pagar as notícias que publica... Até porque João Araújo sabe bem (e há muitos anos...) como funcionam estas coisas das fontes, nomeadamente entre advogados, juízes e jornais. Foi assim que muitos jornais publicaram, durante anos, algumas "cachas" como, por exemplo, o "Expresso", quando nos anos 80 publicou alguns documentos que foram determinantes para a condenação de Otelo Saraiva de Carvalho no âmbito do processo das "FP-25". E que eu saiba, ninguém pagou nada a ninguém...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

João Araújo: a irresistível queda para a graçola fácil...



GARANTO QUE só à terceira ou quarta vez é que acreditei naquilo que estava a ouvir... Pode parecer muito estranho, mas não consigo achar normal que o advogado de José Sócrates (e duvido que o próprio antigo primeiro-ministro também ache...), por muito blagueur ou por muita graça que se ache a si próprio, possa afirmar alto e bom som o que ontem afirmou, numa entrevista à RTP-I, sobre o seu próprio cliente... Pergunta o jornalista a propósito das razões poderiam ter motivado Sócrates a confiar-lhe a sua defesa: "(...)os senhores já eram amigos?". Responde João Araújo"Era e sou amigo dele, não há muito tempo tratei-lhe de uns assuntos familiares, simples, à minha medida e como estava mais à mão, o homem escolheu-me para tratar disto(...)". O jornalista insiste: "Mas já tinha uma relação com o engenheiro José Socrates?". Entre risadas, o advogado esclarece: "Sim, uma relação de amizade, de pequena amizade, não é daqueles amigos a quem eu empresto dinheiro...". Desculpe, importa-se de repetir?!

Profissão? "Personalidade"...


A ARQUITECTA Helena Roseta de vez em quando resolve fazer prova de vida e, ao jeito daquela imaginária prima do Solnado que gostava de "dizer coisas", não resiste em sair-se com uns lugares comuns, daqueles que ficam "bem", que não adiantam nem atrasam, mas que lhe dão uns efémeros segundos de rádio no noticiário das 16 ou das 4 da manhã ou duas mal-amanhadas linhas numa notícia de pé de página feita em cima de um take da Lusa. Então se lhe põem um abaixo-assinado à frente, é certo e sabido que a D. Helena não hesita e, pouco se importando com o tema, rapa da caneta e, zás!, toca a assinar... É sobre a TAP? Venha ele! Sobre a supressão da carreira 32? Força! Sobre o atraso nas obras de alargamento da estrada municipal nãoseideonde? Porque não? Sobre as raposas de cauda roxa às bolinhas amarelas? Leva à Roseta, que ela assina! De tanto assinar, a D. Helena até já deve ter um calo no indicar direito e certamente já trocou formalmente a sua profissão de arquitecta pela de "personalidade", que é um termo com que os nossos jornalistas gostam muito de baptizar as habituais luminárias que, a propósito de tudo e de nada, gostam de fingir que têm opinião sobre tudo e mais alguma coisa, estilo Freitas do Amaral e Bagão Felix, ou agora  também Carvalho da Silva que, perdida a liderança da CGTP, mantém a cabeça à tona de água muito à custa dumas imaginárias "causas comuns".
Na prática, D. Helena e todos esses "profissionais dos abaixo-assinados" descobriram a pouco pouco que a única maneira de resistirem ao sentimento de "marimbanço" que a opinião pública lhes dedica é atrelarem-se a alguns que, pelo seu peso político e intelectual, vale a pena escutar, independentemente de estarmos, ou não, de acordo com o que defendem. Concorde-se ou não, as opiniões de, por exemplo, um Francisco Louçã, de um Silva Lopes ou de um Pacheco Pereira contam, é gente que sabe do que fala, que não se refugia em lugares comuns e que pensa pela sua própria cabeça. Por outras palavras: mas interessa a alguém saber o que a D. Helena pensa sobre isto ou aquilo?! Ou alguém acredita que o seu nome (ou de qualquer outra dessas "personalidades") acrescentam o quer que seja a algum abaixo-assinado, carta aberta ou manifesto?! 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A homenagem a um homem corajoso


LOUVE-SE A decisão da Câmara Municipal de Lisboa que, por unanimidade, decidiu baptizar o aeroporto de Lisboa com o nome do general Humberto Delgado, homenageando assim alguém cuja memória e controverso percurso ainda incomoda os paladinos do "politicamente correcto" que ao longo das últimas décadas têm tentado de algum modo esquecer ou subestimar o seu papel na história da resistência ao antigo regime. 
Não tendo sido propriamente uma "águia" em termos políticos, nem tão-pouco um grande estratego, a Delgado sobrava o que hoje falta à esmagadora maioria dos nossos políticos: coragem. E é essa coragem, bem como uma  férrea determinação e uma invulgar e notável vontade de fazer mudar as coisas que justificam a decisão agora tomada que permitirá que, a partir de agora, possamos ouvir, cada vez que pousarmos em Lisboa, a mais do que merecida referência a quem foi, além de um homem corajoso, alguém a quem a aviação civil e comercial portuguesa muito deve.