Domingo, 27 de Maio de 2012

Cavaco e os "casos"

EM SINGAPURA, o nosso Presidente da República resolveu descansar o País, comunicando solenemente que estava "atento" ao chamado "caso Relvas", como se não isso não fosse a sua obrigação. Escusado será dizer que Portugal respirou de alívio com tamanho cuidado do seu mais alto magistrado, até pela atenção que ele tem dedicado, desde há uns anos, ao "caso BPN". Mas já agora, também não seria má ideia que Cavaco Silva se mostrasse igualmente atento ao já denominado "caso Canals" que, a crer no que por aí se diz, é capaz de salpicar meio mundo e mais uns quantos. Vamos esperar para ver...

Sábado, 26 de Maio de 2012

Jornalismo português: sexta-feira negra...

O DIA de ontem reflecte bem o estado em que está o nosso jornalismo, tão ávido  em correr atrás de protagonismos e tão célere em "meter o rabinho entre as pernas" quando as coisas não lhes correm de feição. Três exemplos:

1. No programa "Quadratura do Círculo", Pacheco Pereira, alegadamente citando Jaime Gama, afirmou alto e bom som que "ou se tem poder para demitir os jornalistas ou dinheiro para os comprar(...)". Alguém viu (ou ouviu) o sempre lesto presidente do Sindicado dos Jornalistas, algum dos muitos "faróis" da ética deontológica que por aí pululam ou um desses conselhos de redacção atentos e vigilantes vir tecer armas em defesa da classe? Népias...

2. Belmiro de Azevedo, o proprietário do "Público", jornal que está no epicentro de um "caso" a que a componente interna não estará certamente alheia, não teve pejo de publica e objectivamente criticar o jornalismo que o "seu" jornal pratica - nomeadamente no chamado "folhetim Relvas". Alguém viu (ou ouviu) a directora ou o conselho de redacção tomar uma posição pública sobre as declarações do "patrão"? Era, "ó tomas"...

3. O semanário "Sol", que há uma semana tinha noticiado com honras de manchete o desmantelamento de uma rede de lavagem e branqueamento de capitais, logo que veio a público que uma das suas administradoras era sócia de um dos cabecilhas da citada rede, apressou-se a tentar, com um título rídiculo e acobardado ("Tiros no escuro"), desvalorizar a importância da notícia que o próprio jornal tinha dado uma semana antes e criticar "o lançamento indiscriminado de nomes na praça pública(...)". E logo o "Sol"... 

Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Entradas de leão, saídas de sendeiro...



HÁ POUCO mais de um mês,  de forma precipitada e claramente a reboque dos interesses angolanos, o ministro português dos Negócios Estrangeiros apressou-se a tomar partido por uma das partes envolvidas no conflito guineense, mais concretamente pelo governo cessante liderado por Carlos Gomes Júnior. O tom, a pose e a extemporaniedade das declarações de Paulo Portas conduziram a que, passadas cinco semanas sob o golpe de estado e com a situação praticamente normalizada em Bissau, Portugal tenha ficado completamente à margem do processo e com o diálogo dificultado com as novas autoridades da Guiné-Bissau, país onde, recorde-se, residem cerca de 6 mil cidadãos nacionais... Em vez de desempenhar o papel que historicamente lhe cabia de interlocutor privilegiado entre as partes em conflito e abster-se em tomar partido por qualquer das partes, Portugal e a sua diplomacia preferiram entrar no perigoso "jogo" de quem possui claras tentações hegemónicas na região. É o que dá a precipitação e a vontade de agradar ao "primo rico"...

Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

Miguel Relvas


CONHEÇO JÁ há alguns anos Miguel Relvas. Não somos, nem nunca fomos, propriamente amigos, já estivemos mesmo de "candeias às avessas" durante algum tempo e penso que já foram mais as vezes que estivemos em lados opostos do que propriamente na mesma "trincheira". E é exactamente por conhecer Relvas já há bastante tempo, por lhe conhecer o "calo" que possui nestas coisas da política, por saber bem quanto a sua carreira e a sua sólida e sustentada ascensão na política esteve alicerçada na excelente relação que sempre manteve com a media e os jornalistas que não acredito numa única das sonsas e ridículas acusações  de pressão sobre jornalistas que, desde há dois ou três dias, atabalhoadamente lhe tentam fazer. Mas a alguém lhe passa pela cabeça que, alguma vez, Relvas tenha ameaçado "divulgar na internet a vida privada" desta ou daquela jornalista?! Ou que tenha sugerido que, se a jornalista "X" ou "Y" insistisse em perguntar-lhe isto ou aquilo, iria "decretar" um blackout governativo?! Por amor de Deus... Pode-se não gostar de Relvas, mas se há alguma coisa que ele não é... é parvo. E o que o "Público" - muito possivelmente para "exorcizar" algumas questiúnclas e divisões internas - quer fazer de todos nós com este "folhetim" de contornos bem duvidosos é... parvos. 

Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

Cautelas e caldos de galinha...

HÁ QUARENTA e três anos, em plena crise académica de 1969 e não fosse "o diabo tecê-las" (ou seja, não fosse escutar a maior vaia e pateada que houvesse memória...), o almirante Américo Thomaz decidiu não estar presente na final da Taça de Portugal que opôs a Académica ao Benfica. Foi a primeira vez que tal sucedeu, que é como quem diz que o chefe de Estado não se deslocou ao Estádio Nacional para entregar o troféu ao vencedor da competição... Agora, em 2012, o actual Presidente da República resolveu iniciar uma viagem oficial ao estrangeiro apenas um dia antes da final que se joga no próximo domingo, entre a Académica e o Sporting. Não é que Cavaco Silva faça lá alguma falta para os lados do Jamor, mas é por estas pequenas coisas que nós percebemos de que "massa" são feitas certas pessoas...

Clippings, sms's e afins...

DESDE HÁ alguns meses que amavelmente e por sua iniciativa o meu amigo Luís Cirilo envia-me diariamente, por mail, um boletim intitulado "Portuscale" e que mais não é que um clipping (chamemos-lhe assim) do que por aí se passa, nomeadamente a nível de matéria noticiosa surgida na internet. Mas desde que tenho visto o kafarnaum que o envio de semelhantes "relatórios" tem provocado cá no burgo (com idas de ministros a comissões parlamentares de inquérito e tudo...) e apesar do muito jeito que por vezes esse resumo diário me dá, estou tentado a pedir ao meu amigo Luís para que suspenda o seu envio - ainda por cima agora que ele foi  eleito vice-presidente do "seu" Vitória de Guimarães, com os naturais e lógicos "perigos" que o envolvimento no mundo do futebol implica para quem quer que seja. Sei lá se amanhã e se o árbitro "X" ou "Y" perdoar um penalti ao Guimarães ou coisa do género, não acabo a responder no Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol. Pelo sim, pelo não, se calhar o melhor mesmo é pedir ao Cirilo para deixar de mandar-me o "relatório"...

P.S. - E agora é que percebi porque é que ele não me respondeu aos dois últimos sms's que lhe mandei - um a dar-lhe os parabéns pela eleição e o outro a recomendar-lhe um médio-interior direito...

"Ê vida vã" by Zeca Baleiro

"Ê vida vã...
o jornal de hoje
é o papel de embrulho de amanhã"

Sexta-feira, 11 de Maio de 2012

Uns e outros...

PARECE QUE é já amanhã que tem lugar o "Stockmarket", uma espécie de feira de pronto-a-vestir e onde serão vendidas peças com descontos que irão de 50 a 80 por cento. Segundo um dos serviços noticiosos da hora de almoço de uma das nossas televisões, esperam-se filas de mais de 300 metros e cerca de uma hora de espera para quem queira aceder ao recinto onde decorrerá esta promoção. Aguardo curioso os relatos dos lestos repórteres sobre os "episódios degradantes" que ali vão ocorrer, bem como os doutos e sábios comentários das luminárias cá do burgo acerca "iniciativa inacreditável" que os comerciantes irão levar a cabo. Ou será que dar e levar uns encontrões para comprar um casaquinho de marca em saldos de 60 ou 70 por cento é menos "degradante" que levar uma pisadela para comprar um quilo de arroz por metade do preço? 

Terça-feira, 8 de Maio de 2012

Uma no cravo, outra na ferradura...


HÁ POUCO mais de duas semanas e em protesto contra as medidas impostas por este governo, Manuel Alegre apressou-se a fazer um chinfrim dos diabos e a anunciar que não iria pôr os pés nas cerimónias oficiais do 25 de Abril que tiveram lugar na Assembleia da República. Mas ontem dava gosto vê-lo, ufano e contente, sorrisinho e mesuras (alegre, portanto...), ao lado do primeiro-ministro na cerimónia de entrega do "Prémio Leya"e aparentemente nada preocupado com os tais "valores de Abril" que segundo o inenarrável Lourenço e aquele grupinho que ainda o secunda, este governo anda a destruir. Convenhamos que, de vez em quando, um bocadinho de coerência não lhe ficava nada mal...

Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

Festa a dois...

PARECE QUE a vitória de François Hollande foi efusivamente celebrada lá para os lados do Largo do Rato, com os socialistas liderados por Tozé Seguro a "cavalgarem a onda" da vitória da esquerda nas presidenciais francesas e tentarem-na rentabilizar o mais e melhor possível. Mas por muito alegre que tenha sido esta noite no antigo palacete dos marqueses da Praia, ninguém me tira da cabeça que quem deve ter ficado mesmo contente com a vitória socialista em França foi, nada mais nada menos que... Passos Coelho, tal o alívio sentido com o previsível fim do malfadado eixo "franco-alemão" protagonizado pela dupla Merkel/Sarkozy e que tantas dores de cabeça tem provocado ao executivo português...

Sexta-feira, 4 de Maio de 2012

O futebol, os cromos e as coincidências...

APÓS ANOS de espinha dobrada perante o Futebol Clube do Porto, aquela criatura que ainda é presidente da Académica e é assim uma espécie de versão conimbricense do inenarrável João Bartolomeu tentou "passar a perna" a Pinto da Costa no negócio da transferência do jogador Éder. Resultado? A Académica nunca mais ganhou um jogo e está (infelizmente) em risco de descer de divisão... Uns quilómetros mais abaixo, em Leiria, também após quase uma vida como mandarete e aio de Pinto da Costa, o tal Bartolomeu que nunca teve vergonha na cara, resolveu trocar o Dragão pela Luz e Pinto da Costa por Luís Filipe Vieira, que este ano até lhe emprestou meia-dúzia de jogadores e tudo. O resultado também está à vista: a União de Leiria pura e simplesmente acabou... É preciso dizer (ou explicar) mais alguma coisa?

As aventuras da dra. Ana Gomes

ALGUÉM TEM  de explicar à euro-deputada Ana Gomes que o passaporte diplomático português a que tem direito dado ser embaixadora (embora na disponibilidade, dada as funções que exerce em Bruxelas) não é propriamente para ser usado como "expediente" para tentar entrar no Bahrein ou lá onde quer que seja ao serviço do Parlamento Europeu, especialmente quando as autoridades desse país a retêm na fronteira, impedindo-a de visitar um oposicionista detido. Vou mais longe: ao usar o passaporte diplomático português e não o documento que a acredita como membro do Parlamento Europeu, Ana Gomes, que viajava na sua condição de euro-deputada, tentou ludribiar as autoridades do Bahrein fazendo uso abusivo de um documento oficial que lhe foi atribuído pelo Estado português para seu uso particular e não propriamente para andar a visitar oposicionistas de países com os quais Portugal mantém relações diplomáticas. É assim tão difícil perceber?

A hipocrisia das luminárias

QUANDO VEJO, leio e oiço a maioria dos comentadores cá do burgo - "envelopados", eles nos blazers e elas nos casacos comprados a preços de saldos do El Corte Inglés ou na Loja das Meias, muitas vezes após alguns empurrões e horas de espera... - a insurgirem-se e perorar furiosamente contra o facto de uma cadeia de supermercados ter resolvido levar a cabo uma promoção onde, durante um dia, oferecia um desconto de 50 por cento em todos os seus produtos, percebo que de facto vivo num país de hipócritas.
Quando vejo, leio e oiço essas luminárias do pensamento nacional classificarem a lógica "corrida" a esses supermercados por parte de quem precisava, podia e queria poupar 50 por cento nas compras do mês como "um espectáculo degradante", dava tudo por tê-los visto e ouvido a dizer  isso mesmo, não nas rádios e nas televisões, mas cara a cara com quem na passada terça-feira acorreu às trezentas e muitas lojas que o "Pingo Doce " tem por esse País fora...
Só isso!

Terça-feira, 24 de Abril de 2012

24 de Abril de 1974


Sampaio: mais uma triste figura...

GOSTANDO-SE OU não de Mário Soares, é difícil não reconhecer ao antigo Presidente da República a coragem com que cunhou a sua longa carreira política. Podemos discordar de isto ou aquilo, podemos criticá-lo aqui e acolá, mas a verdade é que a Soares nunca lhe faltou coragem - antes e depois do 25 de Abril. O mesmo não se pode dizer de quem lhe sucedeu em Belém, de seu nome Jorge Sampaio e que, bastas vezes, pautou a sua conduta política pela mediocridade e pela falta de coragem, preferindo amiúde tentar alijar responsabilidades e passar por entre os pingos de chuva. A posição dúbia, oportunista e cobardolas de Sampaio a propósito da sua presença, ou não, nas cerimónias oficias do 25 de Abril é uma prova disso mesmo: que sim, que não, que talvez, que ainda (a pouco mais de 24 horas...) não sabe se terá um compromisso que o obrigará a ausentar-se para  estrangeiro, enfim uma catadupa de escusas para não tomar uma atitude. É por estas e por outras (e por este e por outros) que o País está como está! 

Ó homem, vá-se mas é catar...

HÁ 38 anos atrás, era eu um miúdo, tive oportunidade de receber o 25 de Abril de braços abertos e festejá-lo ao lado de quem me ensinou os valores em que fui educado e formado - meus Pais. O facto de considerar essa data como um dos dias mais importantes (e felizes!) da minha vida não me obriga a estar eternamente agradecido a quem quer seja, especialmente aqueles militares que pura e simplesmente "embarcaram" naquele pronunciamento militar por razões que se prenderam mais com a sua situação remuneratória do que com qualquer outra coisa, pouco se importando com valores que nunca foram deles e que apenas "cavalgaram" em função de interesses meramente sócio-profissionais. E se é verdade que não envolvo neste grupo militares como, por exemplo, Melo Antunes ou Vítor Alves (entre outros, gente cujo percurso de vida merece respeito e consideração), o mesmo não posso dizer de quem, desde sempre, se tentou apropriar de uma data que não lhe pertence e mesmo servir-se dela para seu benefício pessoal. 
Falo é claro do sr. Lourenço, esse paradigma da imbecilidade militante, que não resiste um ano sem inventar um "número", sempre em busca de um protagonismo que a História não lhe concedeu há 38 anos (estava nos Açores...) e uma importância que nunca possuiu, apesar da apropriação que tenta fazer de alguns factos históricos, nomeadamente no 25 de Novembro. Este ano, mais uma vez armado em arauto e "dono" do 25 de Abril e exacerbando as suas funções de presidente de uma associação que para além de lhe servir de escritório ainda ninguém percebeu exactamente para que é que serve, resolveu anunciar a ausência das comemorações oficiais na Assembleia da República, em protesto pela política levada a cabo pelo actual governo... Para além de, com a sua ausência, prestar um inestimável contributo estético à cerimónia, alguém tem de explicar a essa inefável criatura que o 25 de Abril é tanto dele como de qualquer outra pessoa que o festejou e recebeu de braços abertos. Era só o que faltava que não fosse assim! 

Sábado, 21 de Abril de 2012

Perdoa-lhes a ignorância, Manecas...

NUMA INICIATIVA que até poderia ser engraçada, a revista "Sábado" resolveu esta semana lançar uma edição "retro", ou seja, evocando (mesmo em termos gráficos) os anos 70. Até aqui tudo bem. O pior é quando chegamos à pág. 102 e onde, sob o título "Quem eram os famosos há 40 anos", a revista resolve estabelecer comparações entre os de "então" e os de "agora". E na qualidade de "excêntrico" puseram ao lado do saudoso Manecas Moucelek (um senhor na verdadeira acepção do termo!) nada mais nada menos que esse verdadeiro paradigma da bichice e de um Portugal de quarta ou quinta categoria que dá pelo nome de José Castelo Branco. Não conheço nem sei que idade tem quem assina o texto, mas estou certo que na "Sábado" existe quem saiba que comparar o Manecas a essa criatura é a mesma coisa que confundir a estrada da Beira com a beira da estrada. No mínimo triste...

Sexta-feira, 20 de Abril de 2012

Portugal e Guiné-Bissau: uma oportunidade perdida

PARA QUEM conhece minimamente a Guiné-Bissau e a sua realidade, a posição da diplomacia portuguesa relativamente à deposição do Presidente da República interino e do governo daquele país é no mínimo  hipócrita. Ao longo dos anos, Portugal fechou os olhos a tudo o que sucedia naquela antiga colónia - às falcatruas eleitorais, à violência surda, gratuita e muitas vezes "selectiva" que atingiu muitos dos que nos eram mais próximos, aos negócios  feitos à custa dos cargos político-governativos, às relações promíscuas entre o poder e o narco-tráfico. 
Hoje, um grupo de militares apoiado pela esmagadora maioria dos partidos políticos guineenses (à excepção, claro, de um PAIGC caduco e subordinado à lógica das negociatas do seu líder Carlos Gomes Júnior) tomou o poder e, até prova em contrário, pretende restabelecer os alicerces de um Estado que há muito deixou de existir, numa oportunidade única e talvez derradeira de um país que está, desde há anos, à beira de desintegrar-se. E em vez de assumir uma posição simultaneamente equidestante e conciliadora,  Portugal optou por colocar-se inequivocamente ao lado dos que, com uma legitimidade mais do que duvidosa, contribuíram decisivamente para a destruição da Guiné e das suas instituições. As declarações de teor e tom perfeitamente despropositado do  ministro dos Negócios Estrangeiros português, além de mostrarem desconhecimento da realidade e um servilismo perigoso relativamente a Angola e às suas tentações hegemónicas na região, só contribuem para "fechar as portas" a um diálogo em que Portugal poderia jogar um papel determinante. Para trás fica, mais uma vez, uma oportunidade perdida...

Adeus, ó vai-te embora...

AINDA A propósito de futebol... Parece que ao fim de alguns longos e penosos anos, o chamado "desporto-rei" vai ver-se livre de uma das suas figuras mais reles e manhosas. A criatura em questão dirigiu até agora uma União de Leiria que apenas e só utilizou como instrumento e palco para muitas das suas patifarias, prejudicando tudo e todos, quase sempre como lacaio e moço de recados dos chamados "senhores" do nosso mundo da bola. Para trás, o sujeito deixa um rasto de tudo o que de podre pode ter o futebol e, também (a situação do clube fala por si...), deixa a penar muito e boa gente que, dentro e fora da cidade, alguma vez decidiu confiar em semelhante personagem. Adeus, ó vai-te embora...

Terça-feira, 17 de Abril de 2012

Enganado ou conivente?

O REGRESSO de Paulo Pereira Cristóvão à direcção do Sporting (obviamente a conselho do seu advogado) deita definitivamente por terra a tese que Godinho Lopes teria sido enganado pelo seu vice-presidente e permite toda e qualquer especulação sobre o envolvimento do presidente leonino nos tristes episódios imputados a Cristóvão e aos seus sequazes. Aliás seria bem interessante descobrir quais as "armas" usadas pelo vice-presidente de Alvalade para "convencer" os seus pares na longuíssima reunião de ontem.

O "DN" e as saudações...

O JORNALISMO português - e neste caso concreto o "Diário de Notícias" - continua imparável... Ontem, a propósito da entrada em tribunal daquele energúmeno norueguês que responde pelo nome de Andres Breivik, confundiu o erguer do braço direito com o punho fechado com uma "saudação nazi". Palavras para quê?

Domingo, 15 de Abril de 2012

Passos Coelho fala à "Veja"

"COM VOZ de barítono, que usava para cantar fado em ocasiões privadas" , Pedro Passos Coelho concedeu uma entrevista à edição desta semana da revista brasileira "Veja". São cinco páginas a abrir a publicação e onde o chefe do governo é apresentado pelo jornalista Duda Teixeira como alguém que "vê na crise a oportunidade para fazer reformas e que (...) vai cortar os benefícios sociais de quem não precisa, privatizar estatais e abrir a economia". Uma entrevista onde Passos Coelho não recusa terminantemente a hipótese de Portugal recorrer a um novo resgate: "Creio que não. De qualquer modo o FMI e a União Europeia se comprometeram com uma nova ajuda em dinheiro se no futuro subsistir alguma dificuldade".

Quarta-feira, 11 de Abril de 2012

Um patusco, este arquitecto Saraiva...

QUEM CONHECE esse esteio da opinião publicado chamado José António Saraiva já pouco ou nada se surpreende com o teor de muitos dos seus textos, com especial destaque para aquelas "crónicas do quotidiano" (chamemos-lhe assim) que preenchem duas páginas da revista que integra o jornal de que é simultaneamente mentor, investidor, fundador e director. Semana após semana, o arquitecto Saraiva lá se desdobra em (quase sempre) hilariantes textos - sobre sapatos, varandas, cães, aviões, freeshops, num afã próprio de quem quer certamente rivalizar com o "Inimigo Público" ou coisa do género. Vem isto a propósito da onda de constestação que o seu artigo sobre a homossexualidade  gerou um pouco por todo o lado e que dominou mesmo por horas as chamadas redes sociais. Ao que parece, Saraiva acha que os gays são gays pela perniciosa influência de algumas figuras públicas e também como um "fenómeno contestário", vulgo acto de revolta. E vai mais longe, revelando mesmo como é que num elevador consegue identificar a orientação sexual dos seus companheiros de subida (ou descida): "À minha frente, no elevador, está um rapaz dos seus 16 ou 17 anos. Pelo modo como coloca os pés no chão, cruza as mãos uma sobre a outra e inclina ligeiramente a cabeça, percebo que é gay(...)". Eu peço imensa desculpa a quem ficou chocado com o artigo do sempre desconcertante Saraiva, mas para quem - como eu - já leu uma entrevista do arquitecto Saraiva onde este defendeu, para si próprio, a atribuição do Nobel de Literatura(!) ou já o ouviu, em pleno "Expresso" nos idos de 84, afirmar alto e bom som que cada dia mais dava razão à sua mãe quando esta lhe dizia que ele possuía perfil e potencial para ser "um excelente Presidente da República", já nada me espanta. Até porque no fundo, no fundo, o arquitecto é mas é um patusco... 

Já não há "facebook" que lhe valha...

DESDE QUE arribou a Belém e sempre que confrontado com perguntas mais incómodas, Cavaco Silva optou sempre por escapulir-se a responder olhos nos olhos e a remeter os seus interlocutores para o site da Presidência da República ou mesmo para a sua página pessoal no "Facebook" - o que já por si revela bem a irresistível tendência da criatura para tentar "passar entre os pingos da chuva" e fugir ao escrutínio contínuo que o exercício de funções presidencial logicamente o obriga. No fundo, Cavaco sempre preferiu escudar-se num cómodo "cyber-comunicado" ou num aparente desabafo facebookiano a ter de responder a questões que lhe são visivelmente incómodas, como por exemplo as suas relações com o "universo SLN/BPN" ou aquela trapalhada das suas reformas, pensões, salários e subsídios de férias e Natal. Mas hoje, após a sua terminante recusa em esclarecer este último tema - "Já me pronunciei uma vez sobre a situação, nunca mais..." - percebe-se que já não há "Facebook" que lhe valha...

Quarta-feira, 4 de Abril de 2012

O estado do PS...

QUANDO A principal figura da constestação à liderança de António José Seguro  no Partido Socialista dá pelo nome de José Lello (com dois "éles", eu sei...) e quando uma das "bandeiras" dessa constestação é a repreensão que foi alvo uma deputada cujo curriculo praticamente se resume a ter uma tatoo assinalando a data da legalização dos casamentos gay e ser filha de um senhor que pensa (e bem!), penso que está praticamente tudo dito sobre o estado do maior partido da oposição. 

Terça-feira, 3 de Abril de 2012

César pela mão de Santos Silva...

O LÍDER socialista açoriano Carlos César acabou de entrar na "corrida" à sucessão de António José Seguro. O responsável por tal chama-se Augusto Santos Silva no seu (sempre inteligente...) comentário no TVI24. 

Segunda-feira, 2 de Abril de 2012

E agora?

QUEM VIU há pouco António José Seguro no "Jornal Nacional" da TVI a responder ao comentário à primeira vista arrasador de Marcelo Rebelo de Sousa na sua habitual "homília" dominical, percebeu que o melífluo professor meteu "a pata na poça" e utilizou argumentos falsos para justificar uma acusação de "golpada" que, afinal, parece não ter qualquer fundamento. Aceitam-se apostas para saber como é que Marcelo irá "descalçar a bota" no próximo domingo... Será que o professor resistirá a dar a entender quem é que lhe "bichanou" ao ouvido informações não tão fidedignas quanto isso? Cheira-me que lá para os lados da "baixa" há quem ande bastante preocupado com essa hipótese...

Para Portugal, rapidamente e em força...

NÃO É apenas nos sectores financeiro, energético ou de telecomunicações que os capitais angolanos vão a pouco e pouco consolidando e fortalecendo posições. Discreta e paulatinamente, como quem não quer a coisa, o investimento angolano começa a sentir-se nos media nacionais. E de que maneira... Depois do "Sol", da parceria (que mais tarde ou mais cedo pode passar de "parceria" a compra...) com a Ongoing no "Diário Económico" e outras publicações de menor expressão da discreta entrada no capital do diário "i" e da crescente participação (dizem que já rondando os 30 por cento) na Cofina ("Correio da Manhã", "Record" e "Jornal de Negócios"), há quem garanta que Joaquim Oliveira tem já firmado um acordo de princípio com investidores angolanos que lhe permitirá "livrar-se" das suas participações na comunicação social, nomeadamente no "Diário de Notícias", "JN" e TSF - todos eles em queda vertiginosa de vendas e audiências. Resta (por enquanto...) a RTP, o grupo do dr. Balsemão, a TVI e pouco mais. Resta saber é até quando...

As voltas que o mundo dá...


HÁ VINTE anos, mais coisa menos coisa e enquanto ministra da Saúde, Leonor Beleza protagonizava uma "guerra" aberta e sem quartel contra os médicos, impondo-lhes regras e colhendo os ódios da generalidade da classe, mas também - diga-se em abono da verdade... - a simpatia  de quem recorria aos hospitais públicos. Agora, em 2012, a presidente da Fundação Champalimaud, apresta-se a receber o doutoramento honoris causa na Faculdade de Medicina de Lisboa. De facto, a vida dá (mesmo) muitas voltas!

Sexta-feira, 30 de Março de 2012

Sócrates e a "direita dos negócios"

NO SEU habitual artigo semanal no "Sol", Pedro Santana Lopes aproveitou a ocasião (e o último congresso do PSD) para relembrar passados ainda bem recentes e discorrer sobre as responsabilidade que cabem a uma certa direita na ascenção e manutenção no poder durante seis anos de José Sócrates. E convenhamos que Santana Lopes coloca o "dedo na ferida" de uma forma exemplar quando afirma que "Sócrates não se impôs sozinho, contou com a conivência, a cumplicidade, o apoio e até a admiração de muitas pessoas que hoje o excomungam". De facto, o ex-primeiro-ministro socialista só ascendeu e se manteve no poder porque, objectivamente ao seu lado estiveram figuras gradas de uma certa direita, muitos deles da chamada "direita dos negócios" - aquela direita constituída por aqueles que, quase sempre, de mão estendida e cervical dobrada, colocam à frente de qualquer valor ou ideia, os seus interesses pessoais e económicos. Curiosamente foi essa gente que foram os seus advogados, os apresentadores das sua encomiásticas biografias, os banqueiros que até ao último dia se atropelavam para apoiar publicamente as medidas que ajudaram a conduzir o País ao estado em que se encontra, os organizadores de concorridos almoços e jantares em sua honra; os que procuravam em busca do precioso e principescamente  pago parecer jurídico. Foram eles - muitos deles hoje "rendidos" ao novo establishment e cujos bastidores tentam frequentar- que não hesitaram em renegar os seus pretensos ideiais e valores, colocando-se na trincheira oposta e não hesitando em "disparar" contra os que envergavam a mesma farda. Razão tinha Churchill quando, ironica e inteligentemente, explicou um dia a um jovem colaborador o funcionamento da Câmara dos Comuns: "Meu filho, do outro lado estão os  adversários, mas atenção porque do nosso lado estão os nossos inimigos"...

Presunção e água benta...


O MARIDO da D. Judite anda imparável. Desde que recebeu o indispensável "amén" familiar para tentar ser o candidato do PSD a Lisboa, o putativo, eterno e adiado candidato ao quer que seja, veio a público, numa entrevista ao "Sol", afirmar que "ao ganhar em Sintra ( em 2001) permiti que Durão chegasse ao poder". Coitado... Pelos vistos para o dr. Seara, nesse ano nem Santana Lopes nem Rui Rio, por exemplo (e já para não falar no que ocorreu em Gaia, Coimbra, etc.) derrotaram os candidatos socialistas em Lisboa e Porto... Se a egocêntrica criatura tivesse afirmado  "contribui", ainda vá que não vá - agora "permiti" é caso para dizer que uma alarvidade desse tipo afinal "só lembra ao careca"!

Terça-feira, 27 de Março de 2012

Pobre Seguro...

LI HÁ momentos que o inefável Lello (com dois "éles", note-se...) exortou o líder do seu partido a "rever as relações com o PSD". Começo a ter (mesmo) pena de António José Seguro, obrigado a "levar" com este e outros "cromos" que só se levam a sério... eles mesmos.

Domingo, 25 de Março de 2012

Chiado... by Frederico Duarte Carvalho

A LER com atenção... e já agora sem preconceito: http://paramimtantofaz.blogspot.pt/2012/03/chiado-22-de-marco-de-2012.html

Sexta-feira, 16 de Março de 2012

"Tiro ao Sócrates": já cheira a mofo

NÃO POSSUO particular consideração por José Sócrates - nem política, nem pessoal, isto a acreditar nas mil e uma estórias que por aí se contam acerca do seu feitio e carácter. Porém esta insuportável moda do "tiro ao Sócrates" começa a maçar-me e só revela o lado mesquinho e invejoso que infelizmente cada dia mais caracteriza o português. A capa do "Correio da Manhã" de hoje, onde a toda a largura da página, é apregoado a sete ventos que a estada em Paris do ex-primeiro ministro lhe custa - a ele - 15 mil euros é lamentável. Lamentável porque, salvo prova em contrário e a serem verdade esses números (ou outros quaisquer outros) esse dinheiro pertence-lhe, é dele, ninguém tem rigorosamente nada a ver com quanto e como o antigo chefe do executivo gasta o o "pilim" que à partida, repito, lhe pertence. Escreva e prove o jornal em questão que esses 15 mil euros mensais têm origem ilícita, que já não está aqui quem falou. Mas até lá, desculpem- me estes anti-socráticos de última hora e que só descobriram os seus defeitos no dia em que ele deixou S. Bento (a começar numa certa "direita dos negócios" que sempre o apoiou e intermediou à sua conta...), não posso deixar de considerar, no mínimo, lamentável esta "moda", a fazer-me lembrar outra, quando em principio dos anos 70, o regime então decrépito não resistia a lançar ridículos boatos sobre supostos palácios parisienses do então exilado político Mário Soares ou sobre as fortunas que ele consumia em luxos e mordomias que nunca existiram. Por muito que custe reconhecer, convenhamos que os métodos são os mesmos, cheiram a mofo - o que mudou foram apenas as "penas" antes solícitas e obedientes, hoje talvez mais preocupadas com vendas e audiências que propriamente vassalas e obedientes, até porque vivemos num regime democrático..
Volto a repetir: provem-me que os bens de Sócrates foram obtidos de forma ilícita e eu retiro tudo o que acabei de escrever. Até lá e até porque em matérias de anti-socratismo eu sou completamente insuspeito, aqui ficam estas linhas...

Aníbal Lopes: um homem-bom

CONHECI-O EM finais dos anos 80, na velha e saudosa revista "Sábado". A imagem que guardo de Aníbal Lopes é exactamente a imagem que sempre mantive ao longo destes vinte e tantos anos: a de um homem-bom. Quem o conheceu, sabe bem quanto isso é verdade. Homem de família, extremamente chegado aos seus filhos, sempre discretamente preocupado com todos eles, Aníbal Lopes era alguém que sabia sempre ter uma palavra amável e simpática, até mesmo em momentos em que o que menos nos apetece é sermos amáveis e simpáticos. E é também essa imagem de homem-bom que, para mim, ficará sempre ligada a alguém a quem aprendi a respeitar e estimar desde o primeiro momento. Tenho muita pena, mesmo muita pena, de o ver partir...

Brasil: uma presidente búlgara

O ESTILO solitário e pouco "espaventoso" que Dilma Rousseff tem imprimido à sua governação começa a gerar algum desconforto em certos sectores da cena política brasileira, até mesmo no seio da ampla "base aliada" que a elegeu e lhe garantiu uma maioria clara no Senado e Câmara de Deputados. A pouco e pouco, Dilma começa a ser olhada com alguma desconfiança, mesmo até entre algumas facções do PT - em muito pelo seu "jeito solitário" de governar, fugindo a entendimentos e acordos que a possam comprometer e tentando impôr, contra tudo e todos, a sua opinião e ideias - o contrário de Lula que, segundo consta, já não esconde algumas críticas relativamente à sua antecessora e ao seu estilo. Sob título de "A presidente sem amigos", na sempre imprescindível página 2 do  da "Folha de S.Paulo",  Fernando Rodrigues escreveu anteontem um curto e incisivo texto onde, de uma forma sublime, define Dilma Rousseff como alguém que governa sem grande tendência para envolver até os seus mais próximos no processo de decisão, que no fundo "decide tudo de maneira solitária". E escreve o colunista: "Trata-se uma grande diferença (...) de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). Era comum os presidentes pré-Dilma compartilharem suas ações políticas com um grupo decisório mais próximo. No caso de Dilma não existe tal grupo. Pelo menos, não há assessores com poder de influência para tanger a presidente para um dos lados  de uma discussão sobre manejo político". E remata: "Aliás, ai de quem tentar". Metódica, extremamente organizada, pouco avessa a populismos a que o seu antecessor não resistia, Dilma começa a mostrar aos seus compatriotas a sua forte e fria costela búlgara. O que ninguém sabe é se o Brasil e principalmente o "seu" PT estão dispostos a aguentar este estilo até e depois de 2014... No fundo tudo depende da evolução do estado de saúde de Lula e, também, do resultado das eleições locais do próximo mês de Outubro, principalmente em S.Paulo e em outras grandes capitais.

Brasil: neto de peixe...

COSTUMA-SE DIZER que "filho de peixe sabe nadar". Na política brasileira, esse misto de provérbio e premonição aplica-se mais aos netos que aos próprios filhos. Veja-se o caso do actual senador Aécio Neves, neto do fugaz presidente Tancredo Neves, e que se perfila para ser o candidato da oposição nas eleições presidenciais de 2014; do neto do célebre Miguel Arraes, Eduardo Campos de seu nome, presidente do Partido Socialista Brasileiro e governador de Pernambuco reeleito com 83(!) por cento dos votos, cada vez mais apontado com candidato a "vice"na "chapa" do PT nas próximas presidenciais e tido como potencial candidato em 2018; de António Carlos Magalhães Neto ("ACM Neto"), que como o nome indica é neto do antigo "dono" da Baía e que anunciou a sua candidatura à prefeitura de Salvador este ano; do deputado Brizola Neto, descendente do folclórico Leonel Brizola e pré-indicado para ocupar o cargo de ministro de Trabalho de Dilma Rousseff; e finalmente de Jânio Quadros Neto, neto do antigo presidente do Brasil e que, após ter-se celebrizado como "anfitrião de estrelas" (foi ele que serviu de "mestre de cerimónias" de gente como Madonna, Bono, príncipes Carlos e Harry. por exemplo) confessou agora o seu deesejo de se candidatar a deputado federal.

Segunda-feira, 12 de Março de 2012

Havana


LEIO NO delicioso e breve livro "O nosso GG em Havana" de Pedro Juan Gutiérrez uma frase que definia a capital cubana no início dos anos 50 e que hoje ainda certamente será subscrita por quem, de facto, a conhece: "Esta cidade é uma grande puta. Seduz, hipnotisa, envolve...".

Sexta-feira, 9 de Março de 2012

Ganda lata!

INDEPENDEMENTE DA justeza, ou não, da acusação de "falta de lealdade" que Cavaco Silva faz (agora...) a José Sócrates, não resisto a recordar as inúmeras vezes que o actual Presidente da República protagonizou actos de profunda e incompreensível deslealdade relativamente ao partido que o "inventou" e sobre quem ele durante anos pairou  qual "fantasma" - mas também da facilidade como que, ao sabor dos ventos e das suas conveniências e ambições, descartou amigos e colaboradores de sempre, revelando assim uma personalidade e carácter que não lhe concedem propriamente grande autoridade para acusar quem quer que seja de falta de lealdade... E outra coisa: se Sócrates era afinal assim tão desleal e nocivo à democracia, porque razão o Presidente da República não usou da prerrogativa que a Constituição lhe confere e pura e simplesmente não o demitiu? Será que só agora, com o antigo primeiro-ministro em Paris e sem poder permanecer em Belém após 2016, é que Cavaco descobriu que Sócrates era, também ele, "má moeda"?! Lata, de facto, é coisa que sobra lá para os lados da praça do Império...

Estão bem um para o outro...

NÃO DUVIDO, tal como afirmou Cavaco Silva, que "a falta de lealdade de Sócrates ficará na história da democracia". Mas tenho a certeza absoluta que o cinismo e o calculismo politicamente egoísta do próprio Cavaco também será um facto determinante na avaliação dos seus mandatos enquanto Presidente da República...

Quarta-feira, 7 de Março de 2012

Manuela Ferreira Leite por interposta pessoa...

SEGUNDO CORRE em certos meios, cresce de dia para dia a influência que a assessora Susana Toscano possui no palácio de Belém, tanto junto do próprio Presidente como da sua mulher. Com um chefe da Casa Civil com pouco peso político, a assessora para os assuntos da Educação tem vindo a ganhar um espaço próprio na entourage presidencial a ponto de, no círculo mais íntimo de Cavaco Silva, já ser conhecida como "a patroazinha". Recorde-se, a título de curiosidade, que Susana Toscano é conhecida por, desde sempre, ser o principal "braço-direito" de Manuela Ferreira Leite de quem foi adjunta, chefe de gabinete e secretária de Estado em todos os cargos governamentais que a ex-ministra ocupou ao longo dos últimos anos.

As ambições de Capucho

POR MUITO que me digam que não tem pés nem cabeça eu ligar estas sucessivas aparições e declarações públicas (e sempre algo críticas relativamente ao executivo, diga-se de passagem) de António Capucho a propósito de tudo e de nada a uma hipotética ambição presidencial do antigo autarca de Cascais, a verdade é que cada dia que passa eu acredito mais que, hoje em dia, Capucho tem-se a si como um potencial candidato a Belém em 2016. Daí a necessidade de algum protagonismo e de um relativo distanciamento relativamente ao governo, mas não (note-se...) a Passos Coelho, a quem o ex-edil normalmente preserva das suas críticas. 

Quinta-feira, 1 de Março de 2012

Que mais nos irá acontecer?!

O QUE eu sempre pensei tratar-se de uma brincadeira, afinal parece que é a sério: o PSD prepara-se mesmo para apresentar Francisco Moita Flores como candidato à sucessão de Isaltino de Morais na presidência da Câmara de Oeiras... Por muito que puxe pela cabeça, não consigo encontrar qualquer justificação plausível para esta escolha, a não ser razões que se possam prender com tudo menos com lógica política. Agora, de facto só falta o inefável dr. Seara, mais conhecido como "o príncipe consorte", ser o eleito laranja para enfrentar António Costa em Lisboa. Uff... ainda bem que voto em Cascais!

Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

Dá gosto ler!

O TRABALHO jornalístico publicado no diário "Público" do último domingo sobre a Ongoing e assinado por Cristina Ferreira é, sem qualquer sombra de dúvidas, a prova que (afinal...) ainda existem jornalistas no nosso País. Seis excelentes páginas de um texto onde, a olhos vistos, imperou um trabalho cuidado, responsável e sem estar ao serviço de ninguém. A jornalista falou (ou pelo menos tentou...)  com dezenas de pessoas, passou a pente fino o que achou que devia passar, tocou de forma elegante em pontos onde só com elegância se devem abordar, enfim fez um excelente trabalho a todos os níveis - objectivo, sério e que dá gosto ler,independentemente da opinião que cada um possa ter pelo grupo liderado por Nuno Vasconcelos.

Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

Quem não o conheça, que o compre...

APESAR DE andar por cá há muitos anos, o intrépido Marcelo Rebelo de Sousa ainda não perdeu a capacidade de surpreender-nos. Já não falo desta sua "costela" de animador de TV, onde as a "ditadura das audiências" o obrigam agora a misturar comentário político com entrevistas aos Abrunhosas da vida e actuações ao vivo dos "Clã" e coisas do género. Falo sim da forma veloz - qual gazela em estepe africana - com que saltou no domingo passado numa objectiva defesa (pública...) de Cavaco Silva , criticando o que ele denominou como "tiro ao Cavaco", algo que ele acha que até já contagiou "as tias de Cascais" (sic.). É que, diz o ziguezagueante professor, as críticas ao Presidente da República são "uma moda perigosa e (...) debilitam o prestígio do Estado (...)". Para ele, a figura do chefe de Estado "não deve ser fragilizada" - isto como se ele não soubesse que essa "fragilização" deve-se única e exclusivamente ao próprio Cavaco e às suas sucessivas gaffes e "tiros no pé" que tem, ele próprio, protagonizado. Um brincalhão, este sempre divertido prof. Marcelo! E sempre adaptando e ajustando o comentário à sua estratégia com vista a 2016...



Sábado, 18 de Fevereiro de 2012

Ai, ai, ai, ai, ai...

QUANDO SOUBE da desistência à última-hora de Cavaco Silva em participar numa cerimónia na Escola António Arroio e os motivos  determinantes que levaram o Presidente da República a "fugir a sete pés" de uma visita há muito programada, recordei-me de um episódio ocorrido no ano lectivo de 1969/70 no antigo ISCEF quando o então jovem professor Cavaco Silva, que aí leccionava a cadeira "Finanças I", viu a sua aula interrompida pela contestação de um grupo de alunos e, sem conseguir impôr a sua autoridade e evidenciando um nervosismo (vamos chamar-lhe assim...) pouco consentâneo com a postura que um professor deve manter, optou por "dar às de vila-diogo", dando azo a algumas interpretações que em nada abonam relativamente à sua personalidade. Aliás, diga-se de passagem, Cavaco nunca mais voltou a leccionar aquela cadeira, tendo os alunos criado um auto-denominado "Curso Livre de Finanças". Contou-me e garantiu-me quem lá estava e que ainda hoje não entende o inesperado e em nada nobre "bater em retirada" de quem hoje se senta no cadeirão presidencial e é formalmente o "comandante supremo" das nossas Forças Armadas...

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

Piegas ou mentirosos?

HÁ MAIS de uma semana, meio-Portugal anda a discutir calorosa e enfaticamente umas supostas declarações de Pedro Passos Coelho em que este, numa intervenção proferida no Instituto de Odivelas, teria apelidado os portugueses como "piegas". Ao longo destes dias, as críticas sucederam-se, deram azo a mil e uma doutas e sábias opiniões dos comentadores instalados e o primeiro-ministro mais se assemelhou a um saco de boxe que propriamente a qualquer outra coisa. Hoje à tarde, já um bocado farto do País (ofendido e apoucado...) não pensar em outra coisa do que nas declarações de Passos Coelho, dei-me ao trabalho de ir ver exactamente quais tinham sido as palavras usadas pelo chefe do governo, bem com o o contexto em que as proferiu. E após uma rápida e eficaz pesquisa googliana, encontrei no "Público" as exactas palavras proferidas por Passos Coelho:  "Devemos  persistir, ser exigentes, não ser piegas e ter pena dos alunos, coitadinhos, que sofrem tanto para aprender(...)". Vale a pena dizer mais alguma coisa? É melhor não...