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sexta-feira, 12 de Setembro de 2014

Joaquim Barbosa, o verdadeiro "entretainer"


NÃO É só em Portugal que essa coisa de ser "ex qualquer coisa" é rentável - no Brasil também dá um jeitão. Que o diga o impoluto e intocável Joaquim Barbosa, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal que, durante o já célebre julgamento do "mensalão", encantou um  certo Brasil com uma  pose de justiceiro e de paradigma da ética que chegou a render-lhe até  (pasme-se!) o estatuto de "presidenciável"… Agora, aposentado e liberto da presidência da principal corte brasileira, Barbosa não arranjou melhor ocupação que a de  dar conferências por esse Brasil fora. E a sua primeira aparição nessa sua nóvel ocupação vai ser já na próxima segunda-feira, nada mais nada menos que chamado "congresso dos shoppings"… Por esse andar, ainda o vamos ver a animar convívios e saraus de empresas em resorts à beira-mar. Já faltou mais...

quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

O "porreirão"


QUANDO ME perguntam a opinião que tenho sobre o António Marinho Pinto, respondo invariavelmente: "um porreirão!" Porquê? Porque foi assim que me habituei a vê-lo, desde os tempos em que coincidimos no "Expresso", já lá vão uns quantos anos. O Marinho, como nós o tratávamos, era o correspondente em Coimbra e era uma daquelas pessoas que parece estar sempre bem com a vida, bem disposto, alegre e que defendia com unhas e dentes o que achava estar certo - um "bacano", como soe dizer-se. Depois disso, apesar de cada um estar para seu lado,  encontramo-nos várias vezes, quase sempre em Coimbra, eu academista ferrenho, ele acho que não tanto. Lembro-me de uma dessas vezes, andava eu pelas lides da rádio, o ter convidado a entrevistar comigo o Manuel Sérgio nos estúdios da RDP em Coimbra. Uma entrevista memorável, com o "velho professor" e as suas tradicionais tiradas filosóficos a abrilhantar duas horas de uma conversa de ir às lágrimas. Bom, mas adiante...
Nos últimos anos, vi o Marinho em carne e osso uma ou duas vezes, salvo erro uma delas num comboio entre o Porto e Lisboa, já ele era bastonário e também já possuía uma projecção pública suficiente para uma carruagem inteira lhe dar mais atenção que ao anúncio sonoro da proximidade de uma estação. Obviamente nestes últimos anos, como qualquer pessoa que se interessa minimamente pela actualidade, segui-lhe os passos; as mil e uma polémicas em que se envolveu;  as múltiplas afirmações desassombradas com que encheu outras tantas primeiras páginas de jornais; as suas aparições televisivas constantes; e mais recentemente a sua carreira política. Talvez injustamente - não sei… - tenho-me dado agora conta que o Marinho está progressivamente a levar-se, a ele próprio, excessivamente a sério, está a deixar de ser o "porreirrão" simpático, afável e de uma boa-disposição contagiante para dar lugar a mais um dos muitos chatos que pululam por esse País fora e enxameiam tudo o que é noticiário. Deu-lhe para achar-se arauto daquela franja da sociedade que acha que dizer mal da política lhes fica bem, dos que à falta de um "encosto" partidário procuram incessantemente um palco e uma oportunidade para cometerem exactamente os mesmos erros que apontam à nossa classe política. E isso, apesar de eu gostar do Marinho Pinto, aborrece-me. Para mim o Marinho que eu gosto é o "Marinho-porreirão" de há uns anos atrás, não o Marinho nesta sua versão de "predestinado" e que adopta uma pose e postura messiânicas, como qual D. Sebastião do século XXI. Até porque, todos sabemos, de "domsebastiões" está a nossa política cheia. E acabam todos, sem excepção, por regressar a casa, de monco caído, queixosos de um povo que não lhes deu a atenção e a confiança que eles algum dia julgaram merecer, regressam frustrados e zangados com o mundo. O original, esse, nem voltou a casa - finou-se em Alcácer Quibir. E dos outros, que me lembre, não reza a história... 

11 de Setembro de 1973: "Yo pisaré las calles nuevamente"...



QUEM COMPÔS foi Pablo Milanés, quem canta é Joan Manuel Serrat. É talvez uma das "canções da minha vida" - pela letra, pela música, por que é de Pablito, por que é cantada por Serrat, no fundo pelo que ela representou e representa na minha vida. E representou muito, acreditem. Com 13 ou 14 anos cruzei-me com dezenas e dezenas de chilenos arredados de seu país, fugindo de uma espiral de terror e violência que ceifou a eito milhares de vida. Quatro décadas depois não esqueço o misto de tristeza, de nostalgia, de revolta com que todos eles encaravam o dia seguinte - é uma imagem que não se apagou da minha memória, que associo ao que de mais triste pode suceder a uma pessoa.
Salvador Allende pode ter tido muitos defeitos e pode ter cometido muitos erros ao longo dos três anos que liderou o governo da Unidad Popular - concerteza que sim. Mas isso não justifica a barbárie, os assassinatos, o verdadeiro massacre que um bando de criminosos cometeu sobre milhares e milhares de chilenos a quem apenas o facto de pensar era suficiente para ser ser levado para o Estádio Nacional de Santiago ou morto pela sangrenta "caravana da Morte" que, a mando do facínora Augusto Pinochet, cruzou o Chile dizimando tudo e todos.
É por essas e por outras que, quarenta e um anos após a sua morte no palácio de La Moneda, Allende merece ser recordado. Quanto mais não seja porque com ele o Chile falava, pensava e era livre. E isso já não é pouco...

segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

Paulo Portas: mais um "número"...



O DESESPERO de Paulo Portas é evidente. Depois daquela rábula do Verão do ano passado e que lhe custou definitivamente a auréola que ainda gozava em certos sectores da direita portuguesa, o líder de um visivelmente definhado e acabrunhado CDS tenta a todo o custo recuperar alguma da pouca credibilidade que já possuiu. E para isso deita mão a todos os artifícios e "números" que se possa imaginar, num afã obsessivo em colocar-se na ponta dos pés e surgir aos olhos dos portugueses como o arauto da defesa dos seus direitos. Haja vergonha, que é coisa que há muito o líder centrista não tem - se é que alguma vez a teve… Como é que alguém que foi co-responsável pelo maior ataque de sempre ao bolso dos portugueses, pode agora, qual lobo-mau travestido de capuchinho vermelho, vir a terreiro de mansinho defender uma política fiscal contrária à do governo de que ele é vice primeiro-ministro?! Há limites para tudo, até para o descaramento!

terça-feira, 2 de Setembro de 2014

I ❤ TAP


SE É possível nutrir uma paixão por uma companhia aérea, então confesso: sou apaixonado pela TAP. E é uma paixão de muitos anos, desde miúdo, daquelas paixóes assolapadas, que são mais que entusiasmos momentâneos - acho que é mesmo uma obsessão! E sou, acreditem ou não, de uma fidelidade a toda a prova: nunca na minha vida a traí, ou seja jamais a preteri a favor de qualquer outra, por mais apelativa, insinuante ou sedutora que pudesse ser. Nunca! 
E exactamente por ser uma paixão obsessiva, é que não perco uma notícia sobre a "minha" companhia - "devoro-as", sejam elas boas, assim-assim ou mesmo más. Imaginam pois como tenho sofrido nos últimos tempos, n'é?  É que é raro é o dia em que na nossa imprensa não surja qualquer coisa tentando pôr em causa a reputação de quem tomou há muito o meu coração: ora é um avião que atrasou, outro que avariou, mais um que teve de aterrar de emergência, eu sei lá quantas coisas andam para aí a dizer da "minha" TAP. Ontem dei por mim a pensar: aqui há coisa… Será inveja? Será ciúme? Será o quê? Porque raio andam por aí a difamá-la?! Não sei, mas de uma coisa tenho a certeza: ali há gato! E um "gato" que de certeza já encontrou uma agência de comunicação para ajudá-lo nessa tarefa em tentar desmerecer a impoluta e virtuosa senhora; um "gato" que anda danado para tomar conta dela; um "gato" que não descansa enquanto não lhe puser a pata em cima. E isso irrita-me. Muito! Por essas e por outras é que esta minha paixão pela TAP está cada dia mais forte e intensa. A ponto de tecer armas por ela… En garde!

sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

A iluminada...

NÃO SEI quantas vezes ao dia a iluminada Marina Silva fala com Deus. Não faço ideia, mas se alguém lhe perguntar, aposto que ela responderá que várias… Também não sei se foi Deus que a mandou não embarcar com Eduardo Campos naquele avião no dia 13 de Agosto, isto apesar dela ter-se apressado logo a seguir ao acidente a garantir publicamente que tinha sido Ele que a impedira de ir no jacto que se precipitou em Santos… Mas do que eu tenho praticamente a certeza é que Deus continuamente lhe sarna os ouvidos para ser contra o aborto, combater o casamento gay, opôr-se à legalização das drogas leves ou  ser contra a pesquisa em células-tronco. Não sei em que século Deus disse a Marina que estávamos, mas suponho que Ele a (ou se...) tenha enganado e dito que estávamos no século XX. Mas se calhar estou a ser injusto e a Marina é meia-surda. Mas também não me parece, até porque ela faz sempre questão de dizer que "dá ouvidos" a uma importante franja do eleitorado brasileiro que não esconde estar contra os políticos e que clama pela tão apregoada mudança. No fundo, o que eu acho é que ela está, isso sim, um bocadinho para o "xé-xé". Porquê? Porque não lembra nem ao Diabo alguém que está na política activa há  trinta anos e onde já foi vereadora, deputada, senadora, ministra, candidata presidencial duas vezes e líder partidária, possa, na plena capacidade das suas capacidades mentais, tentar "cavalgar" uma onda que se formou objectivamente para - também a ela...- varrê-la. Ou será que Deus também lhe disse que somos todos tolinhos?

quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

O covarde



ATÉ HÁ uns dias atrás e por conhecê-lo já há alguns anos, pensei que José António Saraiva não passasse de um louco – isto apesar de uma outra safadeza que lhe conheço e que não abonam em nada relativamente ao seu carácter. Agora, depois de ler o texto  infeliz com que quis ajustar contas com um morto (algo que não foi capaz de fazer enquanto Emídio Rangel estava vivo...), percebi que Saraiva, além de mal formado, é um cobarde. E no mais que previsível dia em que algum familiar ou amigo de Rangel (ou mesmo de Margarida Marante) lhe "partir" mais do que merecidamente a cara, só se irão perder as que cairem no chão...

quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Marina Silva


A AGORA candidata presidencial Marina Silva representa um Brasil arcaico, retrógrado, conservador, beato na pior acepção do termo. Um Brasil que tem o pior do velho Brasil do "ame ou deixe-o" e o mais insuportável de um Brasil emergente e que por vezes não consegue esconder uns naturais  toques de novo-riquismo. Sob uma capa de um ambientalismo fundamentalista e eivada de um discurso religioso ortodoxo, Marina é de um oportunismo político gritante, sentindo-se dona de um capital  eleitoral que um natural descontentamento social e urbano lhe vai garantindo a cada eleição. Ela personifica aquele discurso já rançoso dos que, de maneira oportunista, tentam "cavalgar" a desilusão e o desencanto de quem não viu os seus problemas resolvidos e dos que não hesitam em usar qualquer crítica ao sistema (por mais tola que seja...) para explorar à exaustão. Essa é a verdadeira Marina - gasta, velha e sem nada de novo para oferecer a  ninguém não ser a "exploração" da morte de Eduardo Campos e um discurso que, de tão repetitivo e sem conteúdo, não passa disso mesmo: repetitivo e sem conteúdo...

domingo, 17 de Agosto de 2014

O "seguro de vida" de Dilma


A PROPÓSITO deste "realinhamento" das eleições presidenciais brasileiras provocado pelo acidente aéreo que vitimou Eduardo Campos, não resisto a deixar aqui um prognóstico - antes de qualquer sondagem: num eventual segundo turno e num hipotético confronto entre ambas, Marina Silva será o autêntico "seguro de vida" de Dilma Rousseff...

quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

Marinho Pinto: o anúncio certo no "local" certo...


TENDO EM conta os últimos "números" que o (im)previsível António Marinho Pinto tem protagonizado e aquele seu imenso e transbordante ego, de facto o antigo bastonário da Ordem dos Advogados não podia ter encontrado melhor local para anunciar a sua candidatura a primeiro-ministro que num daqueles sensaborões questionários que enxameiam os jornais portugueses nestes tempos estivais - ainda para mais respondendo às perguntas apatetadas de um humorista Nilton. Como dizem os brasileiros, "só pode ser piada mesmo"...