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domingo, 27 de Julho de 2014

Bem prega frei Tomás...



CERTAMENTE ASSOBERBADO com o seu trabalho como consultor de um conhecido escritório de advocacia da capital, Luís Marques Mendes mal deve ter tempo para preparar  o espaço de comentário político que semanalmente a SIC insiste em conceder-lhe. Ou então, outra hipótese: o respeito que lhe merecem os telespectadores é nulo, tomando-os por "patós" ou, no mínimo distraídos… Só assim se pode interpretar a forma como recentemente o antigo líder do PSD e posteriormente aplicado e irrequieto consultor da "Abreu Advogados"  abordou o “caso Espírito Santo”, criticando a alegada promiscuidade entre política e negócios. Diz ele, com uma "lata" verdadeiramente notável e usando aquele seu ar que tão tão doutoral roça o ridículo que  “à política o que é de política, aos negócios o que é de negócios”… E como se não chegasse, conclui: "É bom que os banqueiros queiram fazer negócios e ganhar dinheiro, mas têm de ter cuidado com a ganância”. Pois, 'tá bem abelha...

terça-feira, 22 de Julho de 2014

Belém a as chances de Santana Lopes


ACREDITO QUE o cenário incomode muito boa gente, mas lá que ele a pouco e pouco se vai consolidando, lá isso ninguém pode negar… Falo das chances de êxito de uma candidatura de Pedro Santana Lopes à Presidência da República - isso mesmo, leram bem: as chances do actual provedor da Santa Casa vir a suceder a Cavaco Silva em Belém. Só não vê quem não quer, só finge não acreditar quem prefere colocar à frente do óbvio as suas preferências (ou "despreferências"…) pessoais e políticas. Não arranje a esquerda um candidato forte e abrangente - e só vislumbro António Guterres para desempenhar esse papel - e ainda vou ver Santana Lopes a receber a faixa presidencial lá para 2017. Seria a confirmação de algo que a história já provou à saciedade: para se fazer política tem de se fazer com coragem...

sábado, 19 de Julho de 2014

Caímos que nem patinhos...


SEM QUERER aqui discutir as virtudes ou defeitos da controversa adesão da Guiné Equatorial como membro de pleno direiro da CPLP, não posso deixar de notar as ausências dos presidentes José Eduardo dos Santos e Dilma Rousseff da cimeira de Díli, a reunião de chefes de Estado que irá "sacramentar" formalmente a entrada daquele país africano no universo lusófono e na qual, na prática, Cavaco Silva irá fazer as honras da casa. Curioso, para não dizer sintomático, especialmente se tivermos em conta que, ao invés de Angola (grande entusiasta) e do Brasil (que nunca se opôs), Portugal foi quem, ao longo dos anos, mais entraves colocou às pretensões do regime de Teodoro Obiang
Não sejamos ingénuos ao ponto de supor que essas duas ausências são fruto do acaso ou de alguma agenda sobrecarregada por parte de algum desses dois presidentes - claro que não, elas foram óbvia e estrategicamente planeadas de forma a que Portugal ficasse exposto, refém e com o chamado "odioso" de todo este processo que, ou muito me engano, ainda irá fazer correr muita tinta. É o que dá entregarmos o comando do palácio das Necessidades a anciões cuja única preocupação é fazer pela vidinha e a políticos de terceira ou quarta linha cujo seu horizonte, por muito carimbo que já possam mostrar no passaporte, não passa de Vilar Formoso...

Um vómito...


ACREDITO QUE nos anos em que andei pelo jornalismo possa ter algumas vezes pisado o risco e mesmo infringido algumas daquelas que são consideradas as regras básicas do jornalismo no que se refere à ética e à deontologia - mas também, verdade seja dita, a quem isso não sucedeu? Agora há uma coisa que eu posso garantir, teimar e mesmo bater o pé: nunca,  mas nunca mesmo, em mais de vinte anos de profissão, muitos deles em funções que envolviam responsabilidade editorial, senti-me tentado alguma vez a recorrer a recursos vergonhosos e a roçar o grotesco como o diário de maior circulação em Portugal fez ontem a propósito do avião abatido nos céus da Ucrânia. Aquela primeira página é o reflexo do estado a que chegou o nosso jornalismo (se é que ainda assim pode ser denominado…) e da inacreditável falta de escrúpulos, repito, falta de escrúpulos por parte de quem escolheu e editou a fotografia publicada a toda a largura da primeira página. No mínimo, nojento...

quarta-feira, 16 de Julho de 2014

O BES, ainda e sempre o BES...


JÁ AQUI o escrevi, mas penso que vale a pena relembrar até porque é um dado importante em todo o processo BES: Ricardo Salgado e a sua mulher Maria João possuem há muito cidadania brasileira - pelo menos desde os tempos que residiram no Brasil no período pós-25 de Abril. Algo que pode pesar no futuro do mais recente desempregado da banca portuguesa...

sexta-feira, 11 de Julho de 2014

BES: uma pergunta (muito) pertinente


NÃO VOU reclamar louros sobre o que de algum modo antecipei neste blogue em finais do ano passado acerca do BES e do negro futuro que então vaticinei para o grupo Espírito Santo e para Ricardo Salgado - baseado em factos que muitos preferiram esconder e não dar à estampa, vá saber-se porque razão… Até pelo que tem vindo a lume nas últimas semanas e por todas as consequências que esta crise acarreta a vários níveis, acreditem que preferiria ter errado em toda a linha e hoje ser obrigado a meter a viola no saco. 
Mas de qualquer maneira, a este propósito, não resisto a deixar aqui uma pergunta que, aliás, foi-me feita telefonicamente por um amigo há momentos. Dizia-me ele: "Já percebeste agora porque é que o BES foi o único banco português a não aceitar a capitalização que o Estado pôs à disposição há uns meses atrás? Imagina o que teria sido o Estado entrar por ali dentro e vasculhar-lhea as contas…". Pois é...

terça-feira, 1 de Julho de 2014

Uma pergunta...


O TEMA é delicado, obriga a um natural recato (daí optar por não citar qualquer nome...), mas também implica alguma reflexão. E uma reflexão que se esgota numa simples pergunta: como é que podemos explicar que alguém, num dia, em frente ao ecrã,  num tom a roçar o doutoral apele à discrição e respeito pelos familiares numa hora que é extremamente difícil para estes e, um dia depois, não resista à tentação fácil e ponha no ar uma reportagem sobre as cerimónias fúnebres? Eu prefiro não responder... 

domingo, 29 de Junho de 2014

Tiago Craveiro



É EXTRAORDINÁRIA esta mania tão portuguesa de tentar encontrar bodes expiatórios para justificar desilusões, derrotas e erros. E isso vale para tudo, desde a política ao futebol, passando pela vida empresarial, pela actividade cultural, por todo o lado. O que se está a passar à volta da lamentável prestação da selecção portuguesa em terras brasileiras não foge à regra… E quando todos sabemos que os responsáveis pela imagem inenarrável e degradante que a equipa nacional deixou neste Mundial são, à partida, o técnico e uma significativa maioria dos jogadores, eis que tentam lançar para a fogueira o nome de alguém que não tendo qualquer responsabilidade na escolha dos jogadores, na sua preparação, ou seja no seu desempenho, é aparentemente o elo mais fraco de toda a história: Tiago Craveiro, o director-geral da Federação Portuguesa de Futebol.
Conheço o Tiago há muito tempo, era ele um jovem jornalista, tinha talvez uns 23  ou 24 anos. Foi numa campanha eleitoral, estava eu de um lado e ele de outro - ou seja, eu desempenhava funções na estrutura dessa campanha e ele cobria-a como repórter. O Jorge Lemos Peixoto, que então estava comigo nessas tarefas, está aí para certamente corroborar o quanto o Tiago me impressionou, tanto pelo seu profissionalismo como pelo seu carácter. Nele sempre pudemos confiar, sempre soubemos que com ele o que era off era off e o que por vezes era combinado era cumprido à certa - algo que muito jornalista que por aí anda (e andou) não se pode orgulhar. 
Resumindo: tenho do Tiago Craveiro a imagem de um homem sério, íntegro e profissional.E não resisto a contar (espero que ele não se chateie…) um episódio vivido apenas há semana e meia quando, três(!) minutos após ter publicado na minha página de Facebook um post pouco simpático para a selecção, mais concretamente acerca da eleição de Campinas como quartel-general, recebi uma mensagem privada do Tiago: "Se me quiser perguntar a razão da escolha de Campinas, eu respondo (…) tem algum número brasileiro onde eu possa ligar-lhe?". Dito e feito, pouco tempo depois o telefone tocou. Do outro lado, calma e serenamente, o Tiago apresentou-me algumas justificações, algumas que eu considerei como plausíveis e aceitáveis para essa escolha, o que me permitiu minutos depois, na mesma página de Facebook, citando "um velho conhecido" (no caso o Tiago Craveiro) apresentar essa justificação. Escrevi então: "Aceite-se ou não, finalmente aqui está uma justificação que considero plausível para a escolha de Campinas(…)". Acho que este episódio mostra quem é e como se comporta o Tiago - discreto, profissional e eficiente. E atento ao mais ínfimo pormenor, pronto a defender aquilo em que acredita e porventura fazendo o que alguns, por não lhes convir, não quiseram fazer: defender a selecção e o próprio técnico. Pode-se estar, ou não, de acordo com o Tiago nessa defesa, mas uma coisa é certa: ao fazer isso, ao não medir esforços para defender a sua "dama", o Tiago Craveiro fez mais que a sua obrigação. Podia ter ficado "nas covas", "na sua" como se diz, tal como tantos outros que  assobiaram para o lado e viraram as costas para os problemas. Mas não, ele optou por tentar ajudar a defender o que ele achava ser necessário defender, demonstrando também o quanto estava envolvido e comprometido com a missão em que participava. Pudessem todos orgulhar-se do mesmo…
Um abraço, Tiago!

sexta-feira, 27 de Junho de 2014

A importância de Soares e o dilema de Seguro


A ARRUAÇA em que se tornou a luta pelo poder no Partido Socialista dificilmente terá outro desfecho que não a cisão, especialmente se António José Seguro levar a melhor nesta guerra fraticida que se instalou no seio dos socialistas. E para isso é só Mário Soares querer ou, trocando por miúdos, aquele que é ainda hoje a principal referência dos socialistas afirmar publicamente a sua intenção em demitir-se do partido que fundou.  Um cenário não tão inadmissível quanto possa parecer à primeira vista, especialmente para quem, como Soares, escolheu claramente a forma combativa como quer "marcar" os últimos anos da sua vida política.
E esse é um dos grandes problemas (ou dilemas, como quiserem) com que Seguro se defronta neste momento: pode ganhar o partido numa noite e, no dia seguinte quando acordar, esse mesmo partido pode estar reduzido a metade...

domingo, 22 de Junho de 2014

Miguel Gaspar


HÁ PESSOAS que, mesmo nós não as conhecendo, conseguem-nos transmitir confiança, credibilidade e simpatia. O Miguel Gaspar era uma dessas pessoas. Acho que o vi apenas uma vez e que trocámos um sorriso de circunstância, como de alguém que sabe quem é o outro, mas a quem nunca foi apresentado. Mas conhecia-o, isso sim, de o ler há muito, salvo erro desde o tempo em que ele assinava uma inteligente crónica de televisão - creio que no "Independente". Morreu hoje. Como dizia a minha amiga Inês Serra Lopes há bocadinho quando lhe liguei a dar a notícia, "nós vivemos demais" -  os que ainda andamos por cá e que de vez em quando vemos partir os outros, os que fazem falta. Pois é, é uma merda…
Um beijinho, Filipa!