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sexta-feira, 27 de março de 2015

Sobre a pré-candidatura de Henrique Neto


PARA MIM, se e no caso de formalizar-se, a candidatura presidencial de Henrique Neto terá uma grande enorme virtude: o seu tipo de discurso serve de "barreira" (ou "travão", como preferirem...) relativamente ao populismo demagógico e inconsistente de alguns que surgem como pretensos faróis da ética republicana e que, numa tentativa célere de protagonizar o discurso bacoco e oportunista da anti-política, se perfilam como candidatos a Belém, tais como Paulo Morais e Marinho Pinto. Tendo em conta as garantias que o passado de Neto oferece, pensei que os seus camaradas de partido reagissem com uma natural e realista tolerância, não o hostilizando e deixando até "portas abertas" para uma estratégia que poderia vir a ser, a médio-prazo, comum. Enganei-me! A começar pela reacção destemperada de António Costa e que deu azo a que ouvíssemos nos últimos dias, a propósito da intenção de Henrique Neto, os comentários mais infelizes, desagradáveis, disparatados e tolos que alguma vez se podia imaginar. Ás vezes, antes de falar, convém pensar...

Aquilo é tudo muito mau...


ALGUÉM JÁ se perguntou a razão porque se armou todo este kafarnaum à volta de alegadas pressões de António José Morais, antigo professor de José Sócrates, sobre a mulher de Carlos Santos Silva para que este "entale" o antigo primeiro-ministro - isto segundo uns; ou os supostos pedidos que esta última fez ao dito professor para que convencesse o marido a dar com a com língua nos dentes - isto segundo outros. Alguém já relacionou toda esta verdadeira peixeirada, que já meteu queixas no DCIAP e tudo, com a acção judicial que o mesmo Morais pôs contra um amigo de Sócrates, Armando Vara no caso, para que este assumisse a paternidade de uma filha que o professor supôs sua durante quase 12 anos? Vá lá saber-se quem tem razão - se Morais, se mulher de Santos Silva, mas uma coisa é verdade:  aquilo é tudo muito mau!

segunda-feira, 23 de março de 2015

E se José Sócrates resolver ser candidato?

AS SUCESSIVAS derrotas que a defesa de José Sócrates tem sofrido nos últimos dias, tanto na Relação como no Supremo Tribunal de Justiça, vão obrigatoriamente levar o antigo primeiro-ministro a rever toda a estratégia da sua defesa que - está à vista! - tem falhado em toda a linha. A opção pelo confronto e o tom provocatório que o advogado João Araújo tem insistido em adoptar têm-se mostrado perniciosos e desajustados num processo em que, tudo indica, a discrição e uma certa "negociação" só conviria a quem viu recentemente revalidada a sua prisão preventiva. Mas também é verdade, convenhamos,  que o estilo de Araújo é, de algum modo, semelhante à postura a que Sócrates desde sempre nos habituou, nos seus melhores e nos seus piores momentos...
Por outro lado, a ideia que se tem hoje em dia do processo é que a vida não está fácil para o antigo primeiro-ministro, sendo raro o dia em que as já célebres e supostas "violações do segredo de justiça" nos revelam várias "embrulhadas" que, a serem verdade, não auguram nada de bom para quem surge alegadamente nelas envolvido - e isso que não sabemos o que ainda virá por aí... Talvez por isso mesmo, a curto e médio-prazo, ou seja antes de terminada a instrução do processo, a Sócrates só lhe reste tentar "puxar" o seu caso para a esfera política, tentando a todo o custo imprimir-lhe uma "carga" que  lhe permita desviar a atenção dos factos que a acusação dará por provados e pelos quais pedirá a sua condenação em tribunal. E essa estratégia de defesa que Sócrates poderá vir ser obrigado a adoptar passará muito possivelmente por uma candidatura presidencial... Isso mesmo, uma candidatura à Presidência da República!
E não pensem que o facto de uma candidatura de Sócrates poder naturalmente atrapalhar a vida a António Costa, ao PS e ao candidato que o partido até lá escolher ou por muito condenada que possa estar ao fracasso logo à partida, o fará hesitar um segundo sequer - longe disso. É que além de colocar o seu processo num patamar puramente político, a sua hipotética candidatura a Belém teria, desde logo, o condão de criar um verdadeiro imbróglio jurídico-político, dado o carácter da sua detenção - preventivo. Seria possível, desde que cumpridos os requisitos legais, impedir alguém que se encontra em prisão preventiva, de apresentar a sua candidatura à Presidência da República? Penso que não. Seria aceitável que, aceite a candidatura, esse candidato fosse prejudicado no período oficial de campanha eleitoral relativamente aos seus concorrentes? Penso que não - ou por outras palavras, seria impossível, no caso dessa candidatura ser "validada" pelo Tribunal Constitucional, manter Sócrates detido durante esse mesmo período... Estaríamos assim perante um complexo e intrincado problema jurídico com uma forte componente política. Um problema que não convirá rigorosamente a ninguém, da direita à esquerda e às instituições. Um problema que só convirá ao próprio José Sócrates que, naturalmente, não hesitará, caso não tenha outra solução à mão, em criá-lo. Ele que já ensaiou, nestes últimos quatro meses, o papel de "mártir político" que uma candidatura presidencial tão bem acentuaria...

sexta-feira, 20 de março de 2015

Sobre a violação do segredo de justiça...


NÃO ME revendo naquele estilo que eu considero "bera" do "Correio da Manhã" e não conhecendo pessoalmente Eduardo Dâmaso (ao que presumo, seu director-adjunto), não poderia estar mais de acordo com ele, quando se refere à agora tão badalada violação do segredo de justiça: "É um crime dos anos 90, um crime da moda. Essas pessoas que estão hoje muito preocupadas com ele nunca se preocuparam quando a violação atingiu pessoas que não tinham importância social e económica". Na mouche!

segunda-feira, 16 de março de 2015

A hora de Lula (por estranho que possa parecer...)


CONTRARIAMENTE AO que muitos pensavam (eu incluido...), a presidente Dilma Rousseff perdeu aparentemente a mão num Brasil onde os bastidores da política sempre foram complexos e obrigam a ter uma flexibilidade que esta fria e teimosa filha de búlgaros insiste em não ter. Há cinco meses atrás, ao ser reeleita, Dilma perdeu a oportunidade de traçar o seu próprio caminho e de soltar-se das amarras de um PT em fim de ciclo, verdadeiro "ninho de gatos" onde os "barões" se digladiam furiosamente por detrás do pano, tentando posicionar-se na primeira linha da sucessão para 2018. Tinha então uma oportunidade de ouro de reconciliar-se com a sociedade brasileira, de promover uma verdadeira reforma política que conduzisse a uma necessária reorganização do espectro partidário e de, com isso, disfarçar os efeitos de uma natural crise económica que o país iria atravessar. E quem sabe mesmo de encerrar com "chave de ouro" o ciclo do PT ao fim de 16 anos de poder...
Mas não, Dilma preferiu isolar-se e embrenhar-se naquele pântano que normalmente rodeia os poderosos, onde a intriga, as jogadas e os harakiris políticos se sucedem. Primeiro foi o "caso da Petrobras" onde uma inabilidade gritante por parte da própria Dilma chegou a colocar em causa a sua própria reeleição e contribuiu inevitavelmente para algumas  derrotas do seu partido. Depois conduziu a formação de um governo com uma inabilidade de uma principiante, formou um executivo que não possui uma linha política, uma lógica, onde ninguém sabe bem às quantas anda e onde a articulação política "voa" de mão em mão, ou seja de ministro em ministro, ao sabor dos amuos e birras dos parceiros de uma base aliada vasta, complexa e fisiológica para quem um cargo de segundo ou terceiro escalão é mais importante que qualquer outra coisa.
Enquanto isso, a rua faz-se ouvir. Legitimamente, no exercício de um direito que a democracia confere a quem opta por expressar o seu protesto. O impeachment está obviamente fora de causa, tal como o regresso dos militares que alguns imbecis reclamam. Mas esses são uma minoria. Com esses Dilma não tem que se preocupar. Dilma tem que se preocupar, isso sim, com a imensa maioria dos que sairam para a rua, com os que  querem e precisam de ver o Brasil mudar. E nem é tanto mudar de governantes, mas sim de práticas, de lógicas e principalmente de mentalidade.
Por estranho que parecer e por mais contraditório que isso possa parecer, hoje, mais do que nunca, Dilma depende de Lula. É Lula e só Lula que lhe poderá estender a mão e salvá-la do pântano onde ela se está a deixar atolar hora após hora. É, por estranho que possa parecer, Lula e só Lula que ainda pode colar os cacos de uma elite política (com o PSDB incluído, note-se.….) que cada dia menos possui a confiança dos brasileiros e de quem devia representar. O curso da história trocou as voltas a Dilma - em vez de afastá-la naturalmente de Lula, tornou a criatura cada vez mais dependente do seu criador...

sábado, 14 de março de 2015

Um comentário que é uma pergunta...


AS FOTOGRAFIAS da reportagem do Paris Match sobre o casal Varoufakis que inundaram as redes sociais nos últimos dias só me suscitam comentário que é, ao mesmo tempo, uma pergunta: alguém já imaginou o que seria se algum ministro deste governo se atrevesse a participar numa produção daquele tipo para alguma revista cá do burgo?

quarta-feira, 11 de março de 2015

A disponibilidade de Alegre


A APARENTE recusa de António Guterres em protagonizar uma candidatura presidencial e o pouco, ou nenhum, entusiasmo que nomes como António Vitorino, Sampaio da Nóvoa ou Guilherme Oliveira Martins suscitaram na área socialista, abriu uma "janela de oportunidade" para Manuel Alegre. Renascendo das cinzas a que o conduziram duas frustradas candidaturas a Belém, Alegre surge agora pé ante pé e como quem não quer a coisa, a tentar colocar-se a jeito para que, no  Partido Socialista, alguém se lembre da sua existência e, à falta de melhor, o empurre para mais uma aventura com final anunciado. Só assim se entende as suas duas últimas declarações públicas - a primeira a exigir que Guterres clarifique definitivamente se está, ou não, disponível para candidatar-se a Belém; e a segunda, a querer que António Costa peça a demissão de Pedro Passos Coelho. Só falta mesmo dar uma entrevista, onde "casualmente" o interroguem sobre a sua disponibilidade...

Sobre o tal sr. Morais, outro que fala, fala e não diz nada...

A PROPÓSITO de mais um "número" protagonizado pelo inefável Paulo Morais, não resisto a transcrever algumas linhas que escrevi sobre esse mesmo sujeito há cerca de ano e meio, mais concretamente a 9 de Setembro de 2013:
"Já aqui escrevi e repito: causa-me alguma irritação ver, surgidos do nada, sabe-se lá investidos em que legitimidade, um sem-número de criaturas que pregam a ética e a moral, quais profetas do bem e que se julgam donos e senhores da verdade e da razão. Refiro-me a uns quantos que ultimamente, certamente à falta de "emprego" ou de ocupação mais rentável, pelam-se para falar de cátedra, do alto de uma importância que só eles reconhecem e tendo-se a si próprios em grande conta, vivendo nestes períodos pré-eleitorais, em permanente tournée estival à imagem e semelhança de um qualquer cantor pimba ou de um ou outro "kinito" da vida. São gente que fala, fala e... nada diz - a não ser um chorrilho de lugares comuns, com um ar e ênfase de tratarem-se das coisas mais importantes e quase sempre encantando plateias sequiosas de escutar de forma mais erudita as típicas conversas de paragem de autocarro.

Vem tudo isto a propósito de um tal Paulo Morais, expoente máximo de um certo trauliteirismo nacional e que raro é o dia em que não surge como líder de um fascizante "justicialismo" lançando suspeições, indirectas e aleivosidades sobre tudo e todos, contribuindo à sua maneira para desacreditar um regime que, pese todos os defeitos, ainda possui mecanismos suficientes para afastar quem lhe é nocivo e quem o põe em causa(...).

domingo, 8 de março de 2015

Cavaco Silva


CHEGA A ser confrangedor escutar as opiniões com que cada vez mais espaçadamente - valha-nos isso! - o Presidente da República nos brinda. Confrangedor porque longe vão os tempos em que Cavaco Silva tinha alguma coisa para dizer e em que os portugueses tinham alguma coisa para escutar; confrangedor porque, das duas uma: ou o chefe de Estado fala da boca para fora ou então dá especialmente ouvidos a algum mentecapto que foi alcandorado a conselheiro; confrangedor porque nos últimos anos Cavaco Silva consegue, cada vez que abre a boca, destruir o capital político que lhe restava; confrangedor porque numa altura em que o País precisava de alguém  com bom-senso e principalmente que exercesse as funções presidenciais com a dignidade e a parcimónia que se exige a a um político responsável, Cavaco Silva prefere ficar na história como o mais medíocre dos chefes de Estado do regime democrático.

sábado, 7 de março de 2015

"Quanto mais eles inventam, mais a gente confia no Delcídio"!


DURANTE O ano de 2014, no Brasil, assumi a coordenação estratégica de marketing da campanha do senador Delcídio Amaral ao cargo de governador do estado de Mato Grosso do Sul. Uma campanha que, à partida poderia parecer fácil, tornou-se logo a partir de Março ou Abril desse ano num verdadeiro "ai jesus", tais os ataques inenarráveis que o candidato começou a sofrer por parte dos seus adversários políticos que, comandados por um anão (na verdadeira acepção do termo...) político, raro era o dia em que não lançava acusações, insinuações e ataques, tentando envolvê-lo no escândalo relacionado com a Petrobras que dava então os seus primeiros passos. 
Logicamente que a excelente imagem que Delcídio gozou desde sempre junto dos seus conterrâneos sofreu um abalo, tal a barrage a que o seu nome era sujeito diariamente, em alguns jornais do estado, nos blogues, nas redes sociais, no dizquedisse - uma verdadeira "tortura", especialmente para quem o sabia sério, impoluto e um homem respeitador dos valores da ética republicana. Resultado? A 26 de Outubro do ano passado, embora por uma margem mínima, perdemos a segunda volta das eleições para um candidato que, em vez de apresentar uma única proposta, preferiu fazer uma "campanha negra" baseada na mentira, na insinuação gratuita e na calúnia.
Finalmente hoje, quase um ano após o início deste "folhetim", o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria-Geral da República brasileiros divulgaram uma lista em que, de uma vez por todas, afasta toda e qualquer participação de Delcídio no intrincado esquema do chamado "petrolão". Para trás ficou um ano de muito sofrimento, de muita amargura, de muita revolta, mas também de grande determinação e de uma grande coragem de Delcídio em enfrentar quem não hesitou em preferir a lama das suspensões, da mentira, das acusações falsas a um debate político, sério e honesto.
Como diz o "comercial" que tivemos a oportunidade de produzir e veicular em Agosto no ano passado para a campanha..."quanto mais eles inventam, mais a gente confia no Delcídio". Grande abraço, amigo!